Há muito tempo que a França não esteve tão bem no tênis mundial. Mais de 80 anos depois dos “mousquetaires” René Lacoste, Jean Borotra, Henri Cochet e Jacques Brugnon, mais de 20 anos depois de Yannick Noah – até hoje o último francês a ter vencido um torneio de Grand Slam (Roland Garros em 1983) – e Henri Leconte, a França tem seus novos mosqueteiros: Gilles Simon, Gaël Monfils, Richard Gasquet e Jo-Wilfried Tsonga.
Os dois primeiros estão no Top 10, Tsonga é o 11º e Gasquet, depois de chegar ao oitavo lugar, caiu para 25º. A França não tinha dois tenistas no Top 10 desde Noah e Leconte, em 1986.
Grandes amigos fora das quadras, os quatro são da mesma geração, treinaram e cresceram juntos no tênis profissional. Cada um tem suas características próprias, mas uma coisa é certa: a França nunca esteve tão perto de voltar a brilhar nos torneios de Grand Slam e na Copa Davis, que ganhou pela última vez em 2001. Aliás, os quatro mosqueteiros foram convocados pelo capitão Guy Forget para a primeira rodada da Davis 2009, que acontece neste fim de semana.
Tsonga, o líder
Tsonga, 23 anos, aparece como o líder do grupo. Muito carismático, ele ganhou o apelido de “Mohammed Ali” (a lenda do boxe) no início do ano passado, quando foi o vice-campeão do Aberto da Austrália, perdendo na final para Novak Djokovic. Na semifinal, ele literalmente passou por cima de Rafael Nadal (6/2, 6/3, 6/2), que confessou depois nunca ter tomado tal surra antes em um torneio de Grand Slam. Tsonga tem as qualidades de um Andy Roddick (potente forehand e saque avassalador) só que, ao contrário do americano, também se vira muito bem na rede e tem ótima movimentação. Mas o ponto forte de Tsonga é mesmo a confiança, algo que tem faltado aos tenistas franceses nos últimos tempos. Ele tem uma mentalidade de vencedor, entra em quadra com atitude, para arrebentar. Já faturou quatro ATPs na carreira, dois deles este ano (Johanesburgo e Marselha), perdendo apenas uma final, no ano passado na Austrália. O maior ponto fraco de Tsonga é seu próprio corpo: ele já sofreu várias lesões, algumas graves, durante sua carreira.
Simon, o esforçado
Dos quatro “mosqueteiros”, Simon, 24 anos, era o que despertava menos interesse. Com seu porte físico pouco atlético e seu jogo pouco espetacular, ninguém apostava que ele subiria tão alto na hierarquia do tênis mundial. Mas os resultados falam por si: o francês de Nice já ganhou cinco títulos da ATP, três deles no ano passado, e já é o oitavo mundial. Sua principal qualidade é a persistência: ele vai em todas as bolas, coloca tudo na quadra e acaba cansando o adversário. Sua maior virtude é saber acelerar o jogo no momento certo, depois de colocar seu oponente em ritmo lento com uma longa troca de bolas sem potência. Bom conhecedor do jogo, excelente na parte tática, ele já derrotou ninguém menos que os dois melhores do mundo, Roger Federer e Rafael Nadal, e deu muito trabalho a Novak Djokovic na semana passada nas semifinais do Torneio de Dubai.
Monfils, o irreverente
Grande esperança do tênis mundial em 2004, quando faturou três dos quatro torneios de Grand Slam na categoria juvenil, o parisiense de 22 anos, nono mundial, demorou bastante para confirmar seu imenso potencial. Carismático, irreverente, ‘La Monf’, como é chamado por seus colegas, gosta mesmo é de fazer o espetáculo e divertir o público, à maneira de um Yannick Noah. Porém, ao contrário do ex-número um francês, Monfils ainda não ganhou nada, ou muito pouco, no circuito profissional: apenas um título ATP, conquistado em 2005 em Sopot, na Polônia, para...seis finais perdidas, a última delas na semana passada em Acapulco. A maior façanha do francês até agora foi ter alcançado as semifinais do Aberto da França no ano passado. Ele tem como pontos fortes um saque eficiente e, principalmente, uma excelente cobertura da quadra. Chegou a ser apelidado de “Sliderman” por seus deslizamentos constantes. Seu ponto fraco: uma certa displicência., que está tentando corrigir.
Gasquet, o artista
Gasquet, 22 anos, é sem sombra de dúvida o mais talentoso dos quatro. Apesar disso, é o que tem o ranking mais baixo (25º). Seu backhand com uma mão é um dos melhores do circuito, perdendo apenas, na minha opinião, para o do mestre Roger Federer. Versátil, ele já ganhou títulos em todos os pisos, saibro, grama e sintéticos. Ele tem cinco títulos na carreira e disputou seis finais. Ele foi um dos raros a derrotar Federer, em 2005 em Montecarlo, na época em que o suíço dominava totalmente o tênis mundial. Na verdade, o maior adversário de Gasquet é o próprio Gasquet. Apresentado desde os 15 anos como a maior promessa do tênis francês, ele teve de aguentar uma pressão enorme, e não soube lidar com ela. Isso ficou muito claro no ano passado, quando não faturou nenhum título e perdeu para tenistas muito inferiores a ele, dando sempre a impressão de querer desistir do jogo. Gasquet tem tudo para dar a volta por cima. A técnica dele já é perfeita. Precisa agora recolocar a cabeça no lugar e mostrar mais empenho e mais raça durante as partidas.
quarta-feira, 4 de março de 2009
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