sábado, 7 de março de 2009

Polêmicas no tênis

O mundo do tênis sempre procurou ficar longe das polêmicas, mas tem sido abalado recentemente por um fator geopolítico que nada tem a ver com o esporte. A equipe de Israel, que enfrenta a Suécia em Malmö na primeira rodada da Copa Davis, está disputando suas partidas a portas fechadas por decisão das autoridades locais, que temem uma reação violenta da importante comunidade muçulmana da cidade. Quase 200 pessoas protestaram sexta-feira diante do Baltic Hall de Malmö contra a presença dos tenistas israelenses, por causa do massacre recente de palestinos na Faixa de Gaza. Os manifestantes voltaram em número maior neste sábado e chegaram a detonar bombas do lado de fora do complexo esportivo, precisando ser contidos pela polícia.
Esta não é a primeira vez que o conflito no Oriente Médio invade as quadras de tênis. No início do ano, a tenista israelense Shahar Peer foi vaiada no Torneio de Auckland, e no mês passado, ela foi impedida de disputar o Torneio de Dubai pelas autoridades sauditas, que se negaram a lhe conceder um visto.
A decisão contra Shahar Peer teve tanta repercussão (o Wall Street Journal chegou a retirar seu patrocínio) que o Torneio de Dubai foi forçado a se redimir, concedendo um visto ao duplista israelense Andy Ram. A ATP precisa coibir esses casos com a máxima severidade, por exemplo, retirando do circuito todos os torneios que tomarem tal atitude, para que os atletas, alheios à política e que só querem jogar tênis, não sejam prejudicados.

"Nandrolino"

A invasão da política é a última de uma série de polêmicas que abalou nos últimos anos o outrora tão polido mundo do tênis. No início dos anos 2000, foram revelados os primeiros casos de doping, que envolveram principalmente jogadores argentinos. O primeiro a cair foi Juan Ignacio Chela, em 2000. Dois anos depois, Guillermo Coria, que viria a ser o número três do mundo, foi pego com o anabolizante nandrolona, o que lhe rendeu no circuito o apelido pouco invejável de “Nandrolino”. Depois vieram Guillermo Cañas, banido por dois anos do esporte, e Mariano Puerta, vice-campeão de Roland Garros em 2004. As autoridades do esporte reagiram aplicando duras punições aos culpados e multiplicando os controles antidoping, inclusive durante as férias, algo que tem desagradado profundamente aos tenistas.
Também surgiram recentemente suspeitas de manipulação de resultados. Em 2007, o russo Nikolay Davydenko, quinto mundial, foi acusado de perder propositalmente um jogo contra o então desconhecido argentino Martin Vassalo Argüello, em quem uma quantia absurda de dinheiro havia sido apostada. Davydenko acabou sendo absolvido pela ATP. Mais uma vez, as autoridades reagiram, proibindo todos os tenistas de apostar, inclusive em partidas alheias. Vários jogadores italianos foram pegos e tiveram que cumprir suspensão e pagar multas.

Hooligans na Austrália

No ano passado, as primeiras brigas de torcidas, tão banalizadas no futebol, chegaram ao tênis, tendo como palco principal o Aberto da Austrália. Hooligans gregos, chilenos, sérvios, croatas e bósnios se enfrentaram a garrafadas e cadeiradas nos dois últimos anos em Melbourne.
O tênis sempre fez de tudo para se manter longe destas mazelas, tão comuns em outros esportes. A ATP e a Federação Internacional de Tênis (ITF) tomaram atitudes drásticas para coibir o doping e as apostas ilegais, e as medidas vêm, pelo menos em aparência, dando resultados. Falta agora resolver o problema da violência, e impedir que o esporte seja afetado por questões políticas. Isso parece mais complicado, até porque o poder da ATP e da ITF é limitado exclusivamente à esfera do tênis. Bons tempos aqueles em que os principais motivos de polêmica eram os shorts fluorescentes e os cabelos compridos do americano Andre Agassi.

Um comentário:

  1. Muito interessante esta abordagem do tênis. Eu ainda não tinha lido matérias sobre estes assuntos...

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