sexta-feira, 3 de abril de 2009

Inferno astral

O inferno astral de Roger Federer parece não ter fim. Irreconhecível, o suíço foi eliminado, de virada, pelo sérvio Novak Djokovic por 3-6, 6-2 e 6-3 nas semifinais do Masters 1000 de Miami.
Federer tinha tudo para vencer este torneio pela terceira vez, depois de 2005 e 2006. Vinha jogando bem, melhor que em Indian Wells, e ainda fora beneficiado pela derrota de um exausto Rafael Nadal para o argentino Juan Martin Del Potro nas quartas-de-final.
No entanto, o que se viu hoje em Miami foi indigno de um duelo entre o primeiro e o terceiro do mundo. “Novak jogou mal no primeiro set, e consegui ser ainda pior nos dois últimos”, resumiu um lúcido Federer depois de uma partida “de baixíssimo nível técnico” (as palavras são dele), em que cometeu nada menos que 47 erros não forçados, contra pouco mais de 20 ‘winners’.
Visivelmente perturbado pelo forte vento que varria a quadra, o suíço não acertou nada, ou quase nada. Em uma de suas piores partidas dos últimos cinco anos, chegou a fazer erros constrangedores, sobretudo com a direita. Deve ter se lembrado de seus tempos de juvenil. Irado, transtornado, quebrou a raquete no chão de tanta raiva.
Conseguiu ganhar o primeiro set graças aos sucessivos erros de Djokovic, mas tratou em seguida de superar seu adversário em termos de mediocridade. Ficou do sexto game do segundo set - quando o placar estava 3-2 para 'Nole' - ao quarto game da terceira parcial sem ganhar um único game, tendo o saque quebrado quatro vezes seguidas. Ganhou míseros 16 pontos em todo o terceiro set.
A derrota de hoje lembra a que Federer sofreu há duas semanas contra Andy Murray nas semifinais do Masters 1000 de Indian Wells. A diferença é que naquele jogo, faltou motivação. Desta vez, também faltou técnica.

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