quarta-feira, 6 de maio de 2009

Destinos cruzados

Mesmo que esteja atualmente em declínio, a Argentina continua sendo uma grande potência do tênis mundial, sem dúvida a maior da América Latina.
De Guillermo Vilas, grande adversário de Bjorn Borg nos anos 70, a Juan Martin Del Potro, que com 20 anos é atualmente o mais novo membro do Top 10, a Argentina sempre teve grandes jogadores. Alguns tiveram problemas com doping. Outros perderam a motivação. Foi o caso de Guillermo Coria e Gaston Gaudio, dois ex-tenistas do Top 5 que disputaram a final do Aberto da França em 2004 antes de cair assustadoramente de produção, numa despencada sem fim. O primeiro jogou a toalha e anunciou na semana passada sua aposentadoria, aos 27 anos. O segundo acaba de conquistar o Challenger de Tunis, seu primeiro título em quatro anos, e pediu um wild-card para participar de Roland Garros.

‘El Mago’

Coria era sem dúvida o mais talentoso dos dois. Compensava a falta de força física com uma velocidade ímpar e um toque de bola refinado, que lhe rendeu o apelido de ‘El Mago’. Considerado antipático pela maioria dos tenistas, tinha poucos amigos no circuito. Foi acusado de doping em 2001, e suspenso por dois anos. Alegou ter tomado, sem querer, suplementos alimentares “contaminados” com nandrolona. Depois de investigar o caso, a ATP reduziu a suspensão para sete meses. Sua carreira deslanchou em 2003, quando faturou o Masters Series de Hamburgo e os torneios de Stuttgart, Kitzbühel, Sopot e Basileia. No ano seguinte, conquistou o Torneio de Buenos Aires e o Masters Series de Monte Carlo, e subiu para o terceiro lugar do ranking mundial. ‘El Mago’ estava então no auge da carreira. Chegou à final do Aberto da França, abriu uma vantagem de 2 sets a 0 contra Gaudio, teve dois match-points a seu favor...e desabou. Perdeu os três sets seguintes e viu seu desafeto, que o criticara muito na época do suposto doping, levantar a taça. A derrocada começou no ano seguinte. Foi vice-campeão dos Masters Series de Monte Carlo e Roma, perdendo as duas vezes para um garoto espanhol chamado Rafael Nadal. Ganhou seu último título no Torneio de Umag. A partir de então, abalado por uma persistente lesão no ombro, um saque medíocre e uma grave crise de confiança, foi se apagando progressivamente até cair para o 672º lugar do ranking mundial e anunciar a intenção definitiva de pendurar a raquete.

‘El Gato’

Assim como Coria, o tenista de Buenos Aires obteve seus melhores resultados no saibro. Dono de um excelente backhand com uma mão, ele surgiu no circuito profissional em 1996. Faturou seu primeiro título em 2002 em Barcelona. ‘El Gato’, como é chamado na Argentina, conheceu o ápice de sua carreira em 2004, quando faturou o Aberto da França ao término de uma das viradas mais espetaculares da história do torneio. No embalo do inesperado triunfo no torneio dos seus sonhos, realizou uma ótima temporada em 2005, ganhando cinco torneios – todos no saibro - e atingindo o quinto lugar do ranking mundial. Desde então, acumulou as atuações bisonhas e caiu vertiginosamente na classificação, parando no 966º lugar. Assim como Coria, teve uma inexplicável crise de confiança. Porém, ao contrário do conterrâneo, levantou a cabeça e foi à luta. Já com 30 anos, voltou a sentir o gostinho da vitória na semana passada em Tunis, onde faturou um torneio da categoria Challenger. Nada mal, para quem não ganhava um título há quatro anos e pensava seriamente em parar de jogar . Empolgado, Gaudio pediu, e obteve, um wild-card para o Torneio de Estoril, que conquistara em 2005. Perdeu hoje na primeira rodada para o italiano Fabio Fognini, mas o importante é que parece ter recuperado a vontade de jogar. Se o argentino conseguir o convite para disputar o Aberto da França, poderá sonhar com uma ressurreição logo no palco de suas maiores glórias.

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