Os tenistas franceses costumam dizer que o Aberto da França é o torneio de Grand Slam mais difícil para eles. De fato, apesar do apoio incondicional do público, a pressão por resultados é gigantesca. Depois da Espanha, a França talvez seja o país mais relevante no cenário do tênis mundial. Todos os franceses sonham em ver um local triunfar novamente em Roland Garros, algo que não acontece desde 1983, ano da vitória do mítico Yannick Noah, reverenciado até hoje por uma legião de fãs.
Este ano, 19 franceses entraram na chave principal, 10 avançaram à segunda rodada, e sete se classificaram para a terceira. Vejamos a situação de todos eles.
Os mosqueteiros: Simon, Tsonga e Monfils
Gilles Simon: o número um da França ainda não se deparou com um adversário à altura. Longe de jogar seu melhor tênis, derrotou os norte-americanos Wayne Odesnik, 87º, e Robert Kendrick, 86º. Teve problemas contra o primeiro (3-6, 7-5, 6-2, 4-6, 6-3), e passou com tranquilidade pelo segundo (7-5, 6-0 e 6-1). Contra dois adversários tão parecidos, avessos ao saibro como todos os norte-americanos, chegar à terceira rodada era praticamente uma obrigação. O sétimo mundial vai encarar agora o romeno Victor Hanescu, 33º e bom jogador de saibro, que deverá dar mais trabalho. Se jogar o que sabe, o francês vai tirar de letra, antes de, talvez, desafiar o chileno Fernando González.
Jo-Wilfried Tsonga: o nono mundial quer provar a todos que pode jogar tão bem no saibro quanto nos outros pisos. Depois de uma primeira rodada “meia-bomba” contra seu compatriota Julien Benneteau (6-4, 3-6, 6-4, 6-4), Tsonga superou o argentino Juan Monaco, 68º e especialista do saibro, na base da raça, em um jogo duríssimo (7-5, 2-6, 6-1, 7-6). Jogando como jogou hoje, agressivo, subindo à rede e sacando bem, o francês pode ir longe neste torneio. Seu próximo adversário, o belga Christophe Rochus, 65º, será provavelmente um aperitivo antes de uma partida de oitavas-de-final potencialmente explosiva contra Juan Martin Del Potro.
Gaël Monfils: o terceiro francês do Top 10 mostrou que deixou suas dores nos joelhos para trás com vitórias claras sobre o norte-americano Bobby Reynolds (6-2, 6-3, 6-1) e o romeno Victor Crivoi (6-4, 6-3, 6-3), dois adversários tecnicamente limitados. Como Simon, passará por seu primeiro verdadeiro teste na terceira rodada, contra o austríaco Jürgen Melzer, 26º do ranking. Se as dores não voltarem, o parisiense tem tudo para vencer esse jogo. Com Andy Roddick como principal ameaça na sua chave, Monfils pode até chegar às quartas-de-final e medir forças com Roger Federer.
A confirmação: Jérémy Chardy
Tranquilamente, sem fazer alarde, Chardy vem ganhando espaço no tênis francês e mundial. Enquanto os mosqueteiros atraem os holofotes, o tenista do sul da França vai subindo aos poucos no ranking da ATP, onde ocupa agora o 39º lugar. Para Chardy, 2009 é o ano da confirmação. Ele chegou às oitavas em Roland Garros no ano passado, e tem tudo para repetir a façanha este ano. Vencedor do brasileiro Thiago Alves (6-2, 7-6, 6-3) e do italiano Simone Bolelli (6-2, 6-3, 4-6, 4-6, 6-1) nas duas primeiras rodadas, o tenista de 22 anos, dono de um saque potente e de um poderoso forehand, vai encarar agora o instável Tommy Haas, 31 anos e 63º mundial, que já não é nem sombra do grande jogador que era em 2002, quando chegou à vice-liderança do ranking mundial. Chardy provavelmente não passará mesmo das oitavas já que está na chave de Federer.
A incógnita: Paul-Henri Mathieu
Mathieu sempre gostou de contrariar os prognósticos. Anunciado como o novo grande talento do tênis francês em 2002, quando tinha apenas 20 anos e acabara de faturar consecutivamente os torneios de Moscou e Lyon, ‘PHM’ não ganhou mais nada até 2007, quando foi campeão em Casablanca e Gstaad. Atingiu o 12º lugar do ranking, o melhor de sua carreira, em 2008, depois de chegar às oitavas-de-final nos Abertos da Austrália e da França. O agora 35º mundial estreou bem em Roland Garros, com vitórias fáceis sobre os desconhecidos Laurent Recouderc (6-4, 6-4, 6-1) e Pablo Andujar (6-2, 6-3, 6-4). Próximo adversário: Roger Federer.
A zebra: Marc Gicquel
O francês de 32 anos, 46º mundial, tem como credenciais três finais de ATP 250 e o fato de ter disputado as oitavas-de-final do US Open em 2006. Ele foi responsável pelo maior massacre desta edição do Aberto da França até agora ao aplicar na primeira rodada 6-0, 6-0 e 6-4 no alemão Rainer Schüttler. Na segunda, ganhou, com mais dificuldades (6-4, 6-7, 7-6, 7-5) de outro alemão, Andreas Beck, e vai desafiar Andy Roddick na próxima fase. O norte-americano seria mais do que favorito em qualquer outro piso que o saibro, mas a terra batida nunca foi a praia dele. Se Gicquel tiver paciência e mantiver ao máximo a bola na quadra, pode até surpreender.
A surpresa: Josselin Ouanna
O tenista de 23 anos é a grande revelação francesa deste Roland Garros. Número 134 do ranking mundial, convidado pelos organizadores, derrotou o espanhol Marcel Granollers, 96º, e principalmente Marat Safin, 22º e ex-número um do mundo, em duas batalhas de cinco sets. A vitória épica contra Safin, por 7-6, 7-6, 4-6, 3-6 e 10-8, é por enquanto o ponto alto de sua carreira. Ouanna tem um imenso desafio pela frente já que vai pegar González na terceira rodada. A inexperiência do francês e o cansaço acumulado nas duas primeiras rodadas vão pesar muito na balança. Josselin é da mesma geração que Tsonga e Monfils, seus amigos desde a época em que treinavam juntos no INSEP, perto de Paris. Com certeza fará de tudo para mostrar que finalmente chegou a hora dele.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
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Estou adorando o seu blog.
ResponderExcluirSuper completo e instrutivo.
Parabens, keep it up!
O que mais anda me intrigando na história dos tenistas franceses é o caso Gasquet? Se ele realmente foi pego no doping por ter beijado uma menina que usou cocaína, conforme sugeriu Nadal, a vida foi bem indigna com ele? Será?
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