Mais uma vez, Roger Federer derrotou Robin Soderling, e mais uma vez, a vitória foi em sets diretos. Hoje, nas oitavas-de-final de Wimbledon, o número dois mundial superou o tenista da Suécia pela 11ª vez em 11 jogos, vencendo com parciais de 6-4, 7-6 e 7-6. O suíço já ganhara de Soderling na final do último Aberto da França, por 6-1, 7-6 e 6-4. Ao todo, ele perdeu apenas um set em seus 11 duelos contra o sueco.
A partida de hoje foi decidida nos detalhes. Como sempre, Federer foi mais eficiente nos momentos cruciais. Quebrou o saque de Soderling quando o placar estava 4-4 no primeiro set, e não deixou nenhuma chance ao adversário no tie-break.
O 'Expresso Federer' também foi impressionante no serviço, cravando 23 aces. "Foi um duelo de sacadores", comentou o suíço depois do jogo. "Não houve muitas trocas de bola, mas mantive a calma e aproveitei as chances que tive", acrescentou.
O próximo adversário do número dois mundial será o gigante croata Ivo Karlovic, o que promete outro “duelo de sacadores”. Karlo cravou nada menos que 35 aces nesta segunda-feira contra Fernando Verdasco, eliminado com parciais de 7-6, 6-7, 6-3 e 7-6.
Federer sabe como parar a Máquina de Aces, para quem perdeu apenas uma vez em nove confrontos. Mas o croata, que vai disputar as quartas-de-final de um torneio de Grand Slam pela primeira vez, está cheio de moral. Olho nele!
Hewitt dá show
Rafael Nadal não está jogando, mas está aí o Lleyton Hewitt, um substituto totalmente à altura do espanhol no que diz respeito à raça. O australiano, campeão de Wimbledon em 2002, protagonizou hoje uma virada espetacular contra o perigoso tcheco Radek Stepanek, vencendo por 4-6, 2-6, 6-1, 6-2 e 6-2. Após vários anos em baixa, durante os quais casou, teve dois filhos e passou por uma cirurgia do quadril, o ex-número um do mundo, hoje 56º, está voltando ao seu melhor nível.
O jogo de quartas-de-final contra Andy Roddick, que superou com relativa facilidade (7-6, 6-4, 6-3) o outro tcheco da chave, Tomas Berdych, promete ser de arrepiar. De fato, medirão forças dois ex-líderes do ranking; campeões, juntos, de três torneios de Grand Slam (Hewitt venceu o US Open em 2001 e Wimbledon em 2002, e ‘A-Rod’ faturou o US Open de 2003); e tetracampeões do Torneio de Queen’s. Simplesmente imperdível.
Duelo Djokovic-Haas
É verdade que Novak Djokovic só estava enfrentando o israelense Dudi Sela, 46º do mundo. Ganhar era obrigação. Mas o sérvio mostrou autoridade e atropelou: 6-2, 6-4, 6-1. Agora, vem aí Tommy Haas, que vem fazendo grande campanha na grama. O alemão foi há duas semanas campeão do Torneio de Halle, justamente em cima de Djokovic. Tem tudo para ser um jogão.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
sábado, 27 de junho de 2009
Palpites das oitavas
O torneio de Wimbledon vai entrar na segunda semana com poucas grande supresas. De um modo geral, todos os favoritos se classificaram para as oitavas-de-final. Vamos aos palpites?
Lleyton Hewitt - Radek Stepanek: O australiano está fazendo uma grande campanha em Wimbledon, e está cheio de moral. Por outro lado, o estilo agressivo de Stepanek, baseado no saque-voleio, pode machucar seriamente o ex-número um mundial. Jogo duro, mas como o piso está mais lento, vou apostar no Hewitt
Tomas Berdych - Andy Roddick: 'A-Rod' não brilhou nas três primeiras rodadas, deixando um set pelo caminho a cada jogo. Berdych foi mais contundente atropelando, inclusive, Nikolay Davydenko na terceira rodada. Apesar disso, Roddick, vice-campeão em 2004 e 2005, deve levar a melhor.
Andy Murray -Stanislas Wawrinka: Murray, com tranquilidade. Se jogar como jogou nas duas últimas rodadas, vai sobrar em quadra contra Wawrinka, cujo estilo se expressa melhor no saibro
Juan Carlos Ferrero - Gilles Simon: A presença de Ferrero nas oitavas de Wimbledon talvez seja a maior surpresa do torneio até agora. Como todo espanhol, o ex-número um mundial é avesso à grama. Após vários anos em baixa, saiu do Top 100, mas conseguiu voltar com os bons resultados obtidos recentemente, entre os quais uma semifinal em Queen's. Na terceira rodada, bateu Fernando González em jogo de cinco sets. O cansaço talvez fale mais alto contra Simon, que não precisou forçar muito para derrotar o romeno Victor Hanescu em sets diretos. O francês, porém, não está em grande fase, ao contrário do espanhol. Jogo duro, com leve vantagem para Ferrero
Igor Andreev - Tommy Haas: Não fosse a conhecida instabilidade emocional de Haas, apostaria todas minhas fichas no alemão sem pensar duas vezes. Tommy ganhou o Torneio de Halle, saiu vencedor de uma verdadeira maratona contra o excelente croata Marin Cilic e é tecnicamente bem melhor que Andreev, principalmente na grama. O tenista de Hamburgo deve ganhar, mas com Haas tudo é possível
Dudi Sela - Novak Djokovic: O sérvio está melhorando a cada jogo, e deve detonar o Sela
Fernando Verdasco - Ivo Karlovic: Interessante oposição de estilos (ver post anterior). A chave do jogo vai ser a devolução. Se a Máquina de Aces pifar...
Robin Soderling - Roger Federer: O suíço leva. Está jogando em alto nível, e Soderling é seu freguês de carteirinha
O que acham? Concordam? Discordam? Deem seus palpites!
Lleyton Hewitt - Radek Stepanek: O australiano está fazendo uma grande campanha em Wimbledon, e está cheio de moral. Por outro lado, o estilo agressivo de Stepanek, baseado no saque-voleio, pode machucar seriamente o ex-número um mundial. Jogo duro, mas como o piso está mais lento, vou apostar no Hewitt
Tomas Berdych - Andy Roddick: 'A-Rod' não brilhou nas três primeiras rodadas, deixando um set pelo caminho a cada jogo. Berdych foi mais contundente atropelando, inclusive, Nikolay Davydenko na terceira rodada. Apesar disso, Roddick, vice-campeão em 2004 e 2005, deve levar a melhor.
Andy Murray -Stanislas Wawrinka: Murray, com tranquilidade. Se jogar como jogou nas duas últimas rodadas, vai sobrar em quadra contra Wawrinka, cujo estilo se expressa melhor no saibro
Juan Carlos Ferrero - Gilles Simon: A presença de Ferrero nas oitavas de Wimbledon talvez seja a maior surpresa do torneio até agora. Como todo espanhol, o ex-número um mundial é avesso à grama. Após vários anos em baixa, saiu do Top 100, mas conseguiu voltar com os bons resultados obtidos recentemente, entre os quais uma semifinal em Queen's. Na terceira rodada, bateu Fernando González em jogo de cinco sets. O cansaço talvez fale mais alto contra Simon, que não precisou forçar muito para derrotar o romeno Victor Hanescu em sets diretos. O francês, porém, não está em grande fase, ao contrário do espanhol. Jogo duro, com leve vantagem para Ferrero
Igor Andreev - Tommy Haas: Não fosse a conhecida instabilidade emocional de Haas, apostaria todas minhas fichas no alemão sem pensar duas vezes. Tommy ganhou o Torneio de Halle, saiu vencedor de uma verdadeira maratona contra o excelente croata Marin Cilic e é tecnicamente bem melhor que Andreev, principalmente na grama. O tenista de Hamburgo deve ganhar, mas com Haas tudo é possível
Dudi Sela - Novak Djokovic: O sérvio está melhorando a cada jogo, e deve detonar o Sela
Fernando Verdasco - Ivo Karlovic: Interessante oposição de estilos (ver post anterior). A chave do jogo vai ser a devolução. Se a Máquina de Aces pifar...
Robin Soderling - Roger Federer: O suíço leva. Está jogando em alto nível, e Soderling é seu freguês de carteirinha
O que acham? Concordam? Discordam? Deem seus palpites!
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Federer tranquilo
Roger Federer segue rumo ao hexa em Wimbledon. O número dois do mundo até perdeu um set – seu primeiro desde o início do torneio – mas superou o alemão Philipp Kohlschreiber com parciais de 6-2, 6-3 6-7 e 6-1.
Apesar do set perdido, o suíço afirmou que disputou seu melhor jogo do torneio até agora. Kohlschreiber, 32º mundial, é bom jogador, sólido no fundo e eficiente no saque. Mesmo que a grama não seja seu piso predileto, é um cara perigoso de enfrentar. O ‘Expresso Federer’ se saiu bem deste primeiro teste, depois de duas rodadas fáceis.
Agora vem aí Robin Soderling, seu adversário na final do último Aberto da França. Mesmo que o suíço tenha vencido aquele jogo em sets diretos, e ostente contra o sueco um retrospecto altamente positivo de 10 vitórias em 10 jogos, é bom abrir o olho. Se jogar como jogou em Roland Garros, mantendo-se focado e com a cabeça no lugar, Soderling pode complicar a vida de Federer. Seu estilo agressivo, baseado num saque potente e em golpes fortes e retos dos dois lados, combina até mais com a grama do que com o saibro, apesar de muitos tenistas terem reclamado este ano da lentidão do piso que reveste as quadras do All England Club.
Outro jogo de oitavas oporá Fernando Verdasco ao gigante Ivo Karlovic, dois tenistas completamente diferentes em todos os sentidos. A oposição de estilos não poderia ser maior entre o espanhol e o croata. Verdasco é muito melhor que Karlovic, mas ainda precisa se aprimorar na grama, um piso onde já mostrou seus limites. Hoje, perdeu um set contra o veterano espanhol Alberto Montanes, um tenista apenas regular que nunca brilhou longe do saibro. Já Karlovic superou o excelente Jo-Wilfried Tsonga utilizando a mais poderosa – e única – arma a sua disposição: o saque. No saibro, nem haveria jogo, mas na grama, o duelo promete ser interessante. Torço para o tenista de Madri, muito mais completo e legal de assistir. O vencedor terá a honra de desafiar Roger Federer nas quartas-de-final.
Thiago Alves bem que tentou, mas não conseguiu superar o francês Gilles Simon, sétimo mundial. O brasileiro até ganhou o primeiro set, mas acabou perdendo por 5-7, 6-3, 6-4 e 6-4. Pena. Apesar de tudo, o paulista fez um excelente torneio, e sai de Wimbledon de cabeça erguida. Aparecerá bem perto do Top 100 na próxima classificação ATP.
Apesar do set perdido, o suíço afirmou que disputou seu melhor jogo do torneio até agora. Kohlschreiber, 32º mundial, é bom jogador, sólido no fundo e eficiente no saque. Mesmo que a grama não seja seu piso predileto, é um cara perigoso de enfrentar. O ‘Expresso Federer’ se saiu bem deste primeiro teste, depois de duas rodadas fáceis.
Agora vem aí Robin Soderling, seu adversário na final do último Aberto da França. Mesmo que o suíço tenha vencido aquele jogo em sets diretos, e ostente contra o sueco um retrospecto altamente positivo de 10 vitórias em 10 jogos, é bom abrir o olho. Se jogar como jogou em Roland Garros, mantendo-se focado e com a cabeça no lugar, Soderling pode complicar a vida de Federer. Seu estilo agressivo, baseado num saque potente e em golpes fortes e retos dos dois lados, combina até mais com a grama do que com o saibro, apesar de muitos tenistas terem reclamado este ano da lentidão do piso que reveste as quadras do All England Club.
Outro jogo de oitavas oporá Fernando Verdasco ao gigante Ivo Karlovic, dois tenistas completamente diferentes em todos os sentidos. A oposição de estilos não poderia ser maior entre o espanhol e o croata. Verdasco é muito melhor que Karlovic, mas ainda precisa se aprimorar na grama, um piso onde já mostrou seus limites. Hoje, perdeu um set contra o veterano espanhol Alberto Montanes, um tenista apenas regular que nunca brilhou longe do saibro. Já Karlovic superou o excelente Jo-Wilfried Tsonga utilizando a mais poderosa – e única – arma a sua disposição: o saque. No saibro, nem haveria jogo, mas na grama, o duelo promete ser interessante. Torço para o tenista de Madri, muito mais completo e legal de assistir. O vencedor terá a honra de desafiar Roger Federer nas quartas-de-final.
Thiago Alves bem que tentou, mas não conseguiu superar o francês Gilles Simon, sétimo mundial. O brasileiro até ganhou o primeiro set, mas acabou perdendo por 5-7, 6-3, 6-4 e 6-4. Pena. Apesar de tudo, o paulista fez um excelente torneio, e sai de Wimbledon de cabeça erguida. Aparecerá bem perto do Top 100 na próxima classificação ATP.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Boa, Thiago!
Thiago Alves, 118º mundial que entrou na chave principal de Wimbledon como lucky loser no lugar de Rafael Nadal, não deixou escapar a oportunidade de passar, pela primeira vez, uma rodada na grama inglesa. Terça-feira, o tenista de São José do Rio Preto saiu vencedor de uma verdadeira maratona contra o romeno Andrei Pavel, um ex-13º do mundo que voltou de aposentadoria e caiu para o 907º lugar do ranking: 6-3, 2-6, 6-1, 2-6 e 6-1.
Thiago pega agora o francês Gilles Simon, 24 anos e sétimo mundial, um jogador que nunca enfrentou. É pedreira? Claro que é. Mas poderia ser pior. Simon nunca brilhou na grama. Obteve seu melhor resultado em Wimbledon no ano passado, quando chegou à terceira rodada. Além disso, o tenista de Nice, que já conquistou cinco títulos da ATP em sua carreira, não está num bom momento. Seu último resultado expressivo foi uma semifinal em Dubai, no piso sintético, em março passado. A temporada de saibro foi um desastre, e a de grama não vem sendo muito melhor. No Torneio de Queen’s, foi derrotado pelo russo Mikhail Youzhny nas oitavas-de-final. Ou seja: Thiago pode até surpreender, mas vai ter que ser muito mais regular do que foi contra Pavel.
No mais, não houve surpresas em Wimbledon até agora. Roger Federer, favoritíssimo a um sexto título no All England Tennis Club, destroçou seus dois primeiros adversários, o taiwanês Lu Yen-Hsun (7-5, 6-3, 6-2) e o espanhol Guillermo Garcia-Lopez (6-2, 6-2, 6-4), e não deverá ter problemas contra o alemão Philipp Kohlschreiber na terceira rodada. Andy Murray teve mais dificuldades que o previsto contra o norte-americano Robert Kendrick (7-5, 6-7, 6-3, 6-4) e terá que tomar cuidado com o imprevisível letão Ernests Gulbis. Após uma estréia complicada contra o francês Jérémy Chardy (6-3, 7-6, 4-6, 6-3), Andy Roddick terá provavelmente uma segunda rodada mais tranquila contra o russo Igor Kunitsyn. Assim como Federer, Novak Djokovic, Tommy Haas, Fernando Verdasco e Jo-Wilfried Tsonga já estão na terceira rodada.
Thiago pega agora o francês Gilles Simon, 24 anos e sétimo mundial, um jogador que nunca enfrentou. É pedreira? Claro que é. Mas poderia ser pior. Simon nunca brilhou na grama. Obteve seu melhor resultado em Wimbledon no ano passado, quando chegou à terceira rodada. Além disso, o tenista de Nice, que já conquistou cinco títulos da ATP em sua carreira, não está num bom momento. Seu último resultado expressivo foi uma semifinal em Dubai, no piso sintético, em março passado. A temporada de saibro foi um desastre, e a de grama não vem sendo muito melhor. No Torneio de Queen’s, foi derrotado pelo russo Mikhail Youzhny nas oitavas-de-final. Ou seja: Thiago pode até surpreender, mas vai ter que ser muito mais regular do que foi contra Pavel.
No mais, não houve surpresas em Wimbledon até agora. Roger Federer, favoritíssimo a um sexto título no All England Tennis Club, destroçou seus dois primeiros adversários, o taiwanês Lu Yen-Hsun (7-5, 6-3, 6-2) e o espanhol Guillermo Garcia-Lopez (6-2, 6-2, 6-4), e não deverá ter problemas contra o alemão Philipp Kohlschreiber na terceira rodada. Andy Murray teve mais dificuldades que o previsto contra o norte-americano Robert Kendrick (7-5, 6-7, 6-3, 6-4) e terá que tomar cuidado com o imprevisível letão Ernests Gulbis. Após uma estréia complicada contra o francês Jérémy Chardy (6-3, 7-6, 4-6, 6-3), Andy Roddick terá provavelmente uma segunda rodada mais tranquila contra o russo Igor Kunitsyn. Assim como Federer, Novak Djokovic, Tommy Haas, Fernando Verdasco e Jo-Wilfried Tsonga já estão na terceira rodada.
sábado, 20 de junho de 2009
Culinária de Wimbledon

Já se sabe que a comida não é o ponto forte dos ingleses, mas uma cadeia de supermercados britânica se superou: entrando na onda de Wimbledon, onde virou tradição assistir às partidas comendo morangos com chantily, a rede Waitrose decidiu lançar exclusivamente para o torneio salsichas com um molho especial...de frutas vermelhas! O nome da iguaria, que também leva um toque de menta, é "Berry Bangers". Quem se habilita?
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Nadal não vai jogar em Wimbledon
Rafael Nadal anunciou nesta sexta-feira em Londres que não vai disputar o Torneio de Wimbledon, o terceiro Grand Slam da temporada, do qual é o atual campeão.O anúncio não chega a ser uma surpresa, já que o espanhol vinha reclamando há várias semanas - desde sua derrota para Robin Soderling nas oitavas-de-final de Roland Garros - de dores persistentes nos joelhos, um problema que já o atormentou várias vezes no passado.
Na semana passada, Nadal desistiu de participar do Torneio de Queen's, do qual também era o campeão, pelo mesmo motivo. O número um do mundo, que se dedicou a um programa de recuperação intensivo em Barcelona antes de viajar a Londres, na terça-feira, tinha dito que só jogaria se estivesse 100%.
'Rafa' só tem 23 anos, e nunca conseguiu terminar uma temporada inteiro. Que o circuito profissional de tênis é muito exigente todo mundo sabe, mas o problema do espanhol vai além. O jogo dele é baseado em 90% na força física e na resistência, e o corpo humano não foi feito para aguentar uma carga de trabalho tão intensa por tantas semanas consecutivas. Não sei por quantos anos Nadal ainda vai poder jogar em alto nível, mas uma coisa é certa: ele não terá vida longa no tênis, como tiveram, por exemplo, Andre Agassi ou Fabrice Santoro.
Na ausência de Nadal, o caminho fica livre para Andy Murray, que faturou na semana passada no Queen's seu primeiro título na grama e sonha em ser o primeiro britânico a levantar a taça em Wimbledon desde Fred Perry em 1936. Seus principais adversários até as quartas se chamam Marat Safin e Fernando González, ambos avessos à grama. No lugar de Nadal, deverá pegar Andy Roddick, vice em 2004 e 2005, nas semifinais, em um jogo que, se acontecer, será sem dúvida um dos pontos altos do torneio. Na verdade, se o escocês conseguir superar a enorme pressão que pesa sobre seus ombros, tem tudo para ir até o fim.
Roger Federer, cheio de moral depois da conquista do Aberto da França, é obviamente o maior favorito ao título, que seria seu sexto em Wimbledon e seu 15º Grand Slam. O suíço, que voltará à liderança do ranking mundial se ganhar o torneio, tem uma chave muito tranquila até as oitavas, onde tem encontro marcado com o sueco Robin Soderling, seu adversário na decisão de Roland Garros. Se vencer, pegará provavelmente Fernando Verdasco ou o vencedor do duelo entre Ivo Karlovic e Jo-Wilfried Tsonga, antes de uma eventual semifinal contra Novak Djokovic e a final contra Murray que todos - sobretudo os ingleses - esperam.
Um que pode surpreender é Tommy Haas, que conquistou domingo o Torneio de Halle e parece estar voltando a seu melhor nível. Se conseguir manter a cabeça no lugar durante todo o torneio, o lunático alemão poderá travar um duelo muito interessante contra Djokovic nas quartas-de-final.
A tristeza de Nadal fez a alegria de Thiago Alves, que entrou na chave principal como lucky loser graças à desistência do espanhol. O paulista, 120º mundial, enfrentará na primeira rodada o veterano romeno Andrei Pavel, que voltou recentemente de aposentadoria e ocupa apenas o 911º lugar do ranking da ATP. Excelente oportunidade para passar, pela primeira vez, uma rodada em Wimbledon. Próximo adversário provável: Gilles Simon.
Na semana passada, Nadal desistiu de participar do Torneio de Queen's, do qual também era o campeão, pelo mesmo motivo. O número um do mundo, que se dedicou a um programa de recuperação intensivo em Barcelona antes de viajar a Londres, na terça-feira, tinha dito que só jogaria se estivesse 100%.
'Rafa' só tem 23 anos, e nunca conseguiu terminar uma temporada inteiro. Que o circuito profissional de tênis é muito exigente todo mundo sabe, mas o problema do espanhol vai além. O jogo dele é baseado em 90% na força física e na resistência, e o corpo humano não foi feito para aguentar uma carga de trabalho tão intensa por tantas semanas consecutivas. Não sei por quantos anos Nadal ainda vai poder jogar em alto nível, mas uma coisa é certa: ele não terá vida longa no tênis, como tiveram, por exemplo, Andre Agassi ou Fabrice Santoro.
Na ausência de Nadal, o caminho fica livre para Andy Murray, que faturou na semana passada no Queen's seu primeiro título na grama e sonha em ser o primeiro britânico a levantar a taça em Wimbledon desde Fred Perry em 1936. Seus principais adversários até as quartas se chamam Marat Safin e Fernando González, ambos avessos à grama. No lugar de Nadal, deverá pegar Andy Roddick, vice em 2004 e 2005, nas semifinais, em um jogo que, se acontecer, será sem dúvida um dos pontos altos do torneio. Na verdade, se o escocês conseguir superar a enorme pressão que pesa sobre seus ombros, tem tudo para ir até o fim.
Roger Federer, cheio de moral depois da conquista do Aberto da França, é obviamente o maior favorito ao título, que seria seu sexto em Wimbledon e seu 15º Grand Slam. O suíço, que voltará à liderança do ranking mundial se ganhar o torneio, tem uma chave muito tranquila até as oitavas, onde tem encontro marcado com o sueco Robin Soderling, seu adversário na decisão de Roland Garros. Se vencer, pegará provavelmente Fernando Verdasco ou o vencedor do duelo entre Ivo Karlovic e Jo-Wilfried Tsonga, antes de uma eventual semifinal contra Novak Djokovic e a final contra Murray que todos - sobretudo os ingleses - esperam.
Um que pode surpreender é Tommy Haas, que conquistou domingo o Torneio de Halle e parece estar voltando a seu melhor nível. Se conseguir manter a cabeça no lugar durante todo o torneio, o lunático alemão poderá travar um duelo muito interessante contra Djokovic nas quartas-de-final.
A tristeza de Nadal fez a alegria de Thiago Alves, que entrou na chave principal como lucky loser graças à desistência do espanhol. O paulista, 120º mundial, enfrentará na primeira rodada o veterano romeno Andrei Pavel, que voltou recentemente de aposentadoria e ocupa apenas o 911º lugar do ranking da ATP. Excelente oportunidade para passar, pela primeira vez, uma rodada em Wimbledon. Próximo adversário provável: Gilles Simon.
domingo, 14 de junho de 2009
Lar, doce lar
Nada como ganhar em casa, ainda mais antes de um torneio de Grand Slam. Andy Murray e Tommy Haas que o digam. Os dois tenistas brilharam neste domingo nos torneios sobre grama de Queen's e Halle, preparatórios para o Grand Slam de Wimbledon, que começa na próxima semana. Para ambos, mas por motivos diferentes, a vitória teve um gostinho especial.
Murray se tornou o primeiro britânico a levantar a taça do Queen's em mais de 70 anos, ao derrotar na final o norte-americano James Blake. O número três do mundo faturou o título de um dos torneios mais tradicionais do circuito sem perder um único set no caminho, com vitórias sobre Andreas Seppi (6-1, 6-4), Guillermo Garcia-Lopez (6-4, 6-4), Mardy Fish (7-5, 6-3), Juan Carlos Ferrero (6-2, 6-4) e Blake (7-5, 6-4). Este é o primeiro título em quadras de grama do escocês, que se encheu de confiança para Wimbledon.
Haas conquistou em Halle, na Alemanha, seu primeiro título em mais de dois anos, o 12º de sua carreira e o primeiro em quadras de grama. Conhecido por sua instabilidade emocional, o alemão não tremeu na Hora H e faturou o título superando na final ninguém menos que Novak Djokovic, com parciais de 6-3, 6-7 e 6-1. Após vários anos sem brilho, perturbados por uma persistente lesão no ombro, o atual 41º do mundo, dono de um dos jogos mais completos do circuito, parece estar recuperando o tênis que o levou à vice-liderança do ranking em 2002. O homem que conquistou 10 de seus 12 títulos no cimento também vai bem no saibro - em Roland Garros, nas oitavas-de-final, abriu 2 sets a 0 em cima de Roger Federer antes de tomar a virada do futuro campeão do torneio - e na grama. Olho nele!
Murray se tornou o primeiro britânico a levantar a taça do Queen's em mais de 70 anos, ao derrotar na final o norte-americano James Blake. O número três do mundo faturou o título de um dos torneios mais tradicionais do circuito sem perder um único set no caminho, com vitórias sobre Andreas Seppi (6-1, 6-4), Guillermo Garcia-Lopez (6-4, 6-4), Mardy Fish (7-5, 6-3), Juan Carlos Ferrero (6-2, 6-4) e Blake (7-5, 6-4). Este é o primeiro título em quadras de grama do escocês, que se encheu de confiança para Wimbledon.
Haas conquistou em Halle, na Alemanha, seu primeiro título em mais de dois anos, o 12º de sua carreira e o primeiro em quadras de grama. Conhecido por sua instabilidade emocional, o alemão não tremeu na Hora H e faturou o título superando na final ninguém menos que Novak Djokovic, com parciais de 6-3, 6-7 e 6-1. Após vários anos sem brilho, perturbados por uma persistente lesão no ombro, o atual 41º do mundo, dono de um dos jogos mais completos do circuito, parece estar recuperando o tênis que o levou à vice-liderança do ranking em 2002. O homem que conquistou 10 de seus 12 títulos no cimento também vai bem no saibro - em Roland Garros, nas oitavas-de-final, abriu 2 sets a 0 em cima de Roger Federer antes de tomar a virada do futuro campeão do torneio - e na grama. Olho nele!
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Federer atacado
Vejam o momento em que Roger Federer é atacado por um torcedor durante a final de Roland Garros 2009. O homem vem correndo para cima do número dois do mundo para cobrir sua cabeça com uma bandeira do Barcelona. Reparem como os seguranças demoram para intervir e dominar o cara. O lamentável episódio, que com certeza vai reacender o debate sobre a falta de segurança nas quadras de tênis, aconteceu quando o jogo estava 6-1, 2-1 para Federer. Reparem na cara de perplexidade total do suíço e de seu adversário, Robin Soderling. Afinal, quem não se lembra do que aconteceu com Monica Seles, esfaqueada em plena quadra por um fã de Steffi Graf? Talvez Federer até tenha pensado por um segundo ser atacado por um fã de Rafael Nadal que não queria que ele vencesse em Paris. O bom é que o episódio não tirou sua concentração. Federer ganhou o segundo set no tie-break e fechou o jogo com parciais de 6-1, 7-6 e 6-4.
http://www.youtube.com/watch?v=fzXGnZCw5hk
http://www.youtube.com/watch?v=fzXGnZCw5hk
domingo, 7 de junho de 2009
Melhor da História
Finalmente. Ele conseguiu. Roger Federer conquistou o Aberto da França, o último Grand Slam que lhe faltava, e entrou para a história do tênis.
Simbolicamente, foi Andre Agassi, o último tenista a ter faturado os quatro torneios de Grand Slam, quem entregou a taça ao suíço, que não conseguiu conter as lágrimas.
Federer tem agora 14 títulos de Grand Slam, o mesmo número que Pete Sampras. Porém, ao contrário do heptacampeão de Wimbledon, ele ganhou os quatro. Triunfou em Melbourne, Paris, Londres e Nova York. Depois de subir três vezes ao pódio como vice-campeão, finalmente levantou a taça em Roland Garros.
E agora? Federer é ou não é o melhor da história? Na minha opinião, é. O único que pode disputar esse título com o suíço é o australiano Rod Laver, que faturou os quatro torneios de Grand Slam no mesmo ano duas vezes, em 1962 e em 1969. Mas os tempos eram outros. O esporte era outro. A dificuldade aumentou. O número de bons tenistas, também.
Com esta vitória, o número dois mundial tirou um peso imenso de suas costas. Deu a todos os que acharam que sua carreira estava no fim a melhor das respostas: foi ganhar logo na casa de seu maior adversário, Rafael Nadal, primeiro em Madri e depois em Paris. Só falta agora recuperar sua coroa em Wimbledon, seu verdadeiro jardim, palco de sua primeira grande conquista em 2003. Depois desta vitória inesperada em Roland Garros, ele chegará a Londres com o estatuto de favorito, mas também com a cabeça tranquila, sem pressão, e com a agradável sensação do dever cumprido.
E o jogo de hoje? Foi mais o menos o que se esperava. Em sua primeira final de Grand Slam, Robin Soderling sentiu a pressão. Demorou muito para despertar e entrar na partida. Ao contrário, Federer esteve focado do início ao fim. Concentrado, consciente, ganhou o primeiro set por 6-1 num piscar de olhos. Parecia que nada, nem mesmo o torcedor que invadiu a quadra e correu para cima dele antes de ser dominado pelos seguranças, poderia tirar a concentração do suíço. Avassalador no serviço, eficiente nas devoluções, habilidoso na rede, excelente na leitura do jogo adverso, conseguiu conter o ímpeto do sueco, que nessa altura já começara a mostrar o tênis potente e arrojado exibido nas últimas rodadas. O segundo set foi para um tie-break em que Federer atingiu a perfeição: quatro aces (em quatro saques), e três winners. Soderling não se abateu e continuou jogando bem no terceiro set, mas provavelmente já sabia que não ia dar mais. Cada vez mais perto da história, sentindo toda a tensão do momento, Roger Federer cometeu alguns erros, mas se manteve focado até o fim e fechou a partida em 6-1, 7-6 (7/1) e 6-4. Parabéns, campeão.
Simbolicamente, foi Andre Agassi, o último tenista a ter faturado os quatro torneios de Grand Slam, quem entregou a taça ao suíço, que não conseguiu conter as lágrimas.
Federer tem agora 14 títulos de Grand Slam, o mesmo número que Pete Sampras. Porém, ao contrário do heptacampeão de Wimbledon, ele ganhou os quatro. Triunfou em Melbourne, Paris, Londres e Nova York. Depois de subir três vezes ao pódio como vice-campeão, finalmente levantou a taça em Roland Garros.
E agora? Federer é ou não é o melhor da história? Na minha opinião, é. O único que pode disputar esse título com o suíço é o australiano Rod Laver, que faturou os quatro torneios de Grand Slam no mesmo ano duas vezes, em 1962 e em 1969. Mas os tempos eram outros. O esporte era outro. A dificuldade aumentou. O número de bons tenistas, também.
Com esta vitória, o número dois mundial tirou um peso imenso de suas costas. Deu a todos os que acharam que sua carreira estava no fim a melhor das respostas: foi ganhar logo na casa de seu maior adversário, Rafael Nadal, primeiro em Madri e depois em Paris. Só falta agora recuperar sua coroa em Wimbledon, seu verdadeiro jardim, palco de sua primeira grande conquista em 2003. Depois desta vitória inesperada em Roland Garros, ele chegará a Londres com o estatuto de favorito, mas também com a cabeça tranquila, sem pressão, e com a agradável sensação do dever cumprido.
E o jogo de hoje? Foi mais o menos o que se esperava. Em sua primeira final de Grand Slam, Robin Soderling sentiu a pressão. Demorou muito para despertar e entrar na partida. Ao contrário, Federer esteve focado do início ao fim. Concentrado, consciente, ganhou o primeiro set por 6-1 num piscar de olhos. Parecia que nada, nem mesmo o torcedor que invadiu a quadra e correu para cima dele antes de ser dominado pelos seguranças, poderia tirar a concentração do suíço. Avassalador no serviço, eficiente nas devoluções, habilidoso na rede, excelente na leitura do jogo adverso, conseguiu conter o ímpeto do sueco, que nessa altura já começara a mostrar o tênis potente e arrojado exibido nas últimas rodadas. O segundo set foi para um tie-break em que Federer atingiu a perfeição: quatro aces (em quatro saques), e três winners. Soderling não se abateu e continuou jogando bem no terceiro set, mas provavelmente já sabia que não ia dar mais. Cada vez mais perto da história, sentindo toda a tensão do momento, Roger Federer cometeu alguns erros, mas se manteve focado até o fim e fechou a partida em 6-1, 7-6 (7/1) e 6-4. Parabéns, campeão.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Final inédita no Aberto da França
Quem teria apostado, há duas semanas, numa final de Roland Garros entre Robin Soderling e Roger Federer? A presença do número dois do mundo, vice-campeão do Aberto da França em 2006, 2007 e 2008, não chega a ser uma surpresa, mesmo que o suíço esteja longe de seu melhor nível. Já a de Soderling, que nunca disputou qualquer final de um torneio ATP no piso de saibro em toda sua carreira, pode até ser considerada uma aberração.
O tresloucado sueco mostrou que sua vitória contra Rafael Nadal, tetracampeão e favorito a mais um título em Roland Garros, nas oitavas-de-final, não foi um mero acaso. Depois de eliminar o número um do mundo, se livrou de Nikolay Davydenko e de Fernando González - dois adversários perigosíssimos - com a mesma autoridade. Nas quartas-de-final, o russo não viu a cor da bola e foi derrotado por 6-1, 6-3 e 6-1. O chileno, dono da melhor direita do circuito, deu mais trabalho, mas acabou perdendo com parciais de 6-3, 7-5, 5-7, 4-6 e 6-4.
O que deu em Robin Soderling, 24 anos, 25º mundial e vencedor até agora de apenas três torneios da ATP, todos no piso sintético? Como se tornou de repente um tenista capaz de eliminar, um após o outro, três dos melhores atletas do circuito, justamente no único Grand Slam disputado na terra batida, onde nunca brilhou? Como um cara conhecido pelo temperamento explosivo e pela irregularidade se transformou em máquina mortífera, frio e calculista? Será a colaboração com Magnus Norman, ex-número dois do mundo e vice-campeão do Aberto da França em 2000? A mão sempre foi pesada, mas a novidade é que agora, ele acerta. Saque, direita, esquerda...Tudo dentro, com uma regularidade assustadora. Acostumado a deslocar seus oponentes com poderosos forehands de 180 km/h, González teve hoje a desagradável surpresa de ver todos seus mísseis voltarem para ele com uma força ainda maior. O chileno ainda teve gás para empatar o jogo em 2-2 e abrir 4-1 no quinto set, mas o sueco manteve a calma, ganhou os cincos games seguintes e fechou a partida. Não sei se Soderling vai continuar nesse ritmo, mas uma coisa é certa: o tênis que vem exibindo desde que ganhou do Nadal é de nível Top 5.
Federer também teve bastante dificuldade contra Del Potro, que com apenas 20 anos disputava sua primeira semifinal de um torneio de Grand Slam. O argentino, que tinha um retrospecto pouco animador de cinco derrotas em cinco jogos contra o número dois do mundo, quase obteve hoje sua primeira vitória. Usando bem suas melhores armas, o saque e a direita, a ‘Torre de Tandil’ dominou Federer durante três sets, antes de desabar completamente e deixar o suíço fechar a partida com parciais de 3-6, 7-6, 2-6, 6-1 e 6-4.
O que esperar da decisão de domingo, que será a 19ª de Federer em torneios de Grand Slam? O número dois do ranking, que venceu Soderling nove vezes em nove jogos, é o grande favorito deste confronto, e aí é que mora o perigo. ‘Fed’ sabe que dificilmente terá outra oportunidade tão clara de faturar o único Grand Slam que lhe falta e igualar o recorde de 14 títulos de Pete Sampras. Já Soderling vai entrar como franco-atirador, e não terá absolutamente nada a perder. Como fez contra José Acasuso, Tommy Haas ou Del Potro, o suíço vai ter que ser paciente, e saber esperar a hora certa para dar o bote. O sueco, por sua vez, terá que abstrair o fato de estar disputando uma final de Grand Slam e jogar como jogou contra Nadal, Davydenko e González: com eficiência, determinação e, o que é mais importante, com a cabeça no lugar.
O tresloucado sueco mostrou que sua vitória contra Rafael Nadal, tetracampeão e favorito a mais um título em Roland Garros, nas oitavas-de-final, não foi um mero acaso. Depois de eliminar o número um do mundo, se livrou de Nikolay Davydenko e de Fernando González - dois adversários perigosíssimos - com a mesma autoridade. Nas quartas-de-final, o russo não viu a cor da bola e foi derrotado por 6-1, 6-3 e 6-1. O chileno, dono da melhor direita do circuito, deu mais trabalho, mas acabou perdendo com parciais de 6-3, 7-5, 5-7, 4-6 e 6-4.
O que deu em Robin Soderling, 24 anos, 25º mundial e vencedor até agora de apenas três torneios da ATP, todos no piso sintético? Como se tornou de repente um tenista capaz de eliminar, um após o outro, três dos melhores atletas do circuito, justamente no único Grand Slam disputado na terra batida, onde nunca brilhou? Como um cara conhecido pelo temperamento explosivo e pela irregularidade se transformou em máquina mortífera, frio e calculista? Será a colaboração com Magnus Norman, ex-número dois do mundo e vice-campeão do Aberto da França em 2000? A mão sempre foi pesada, mas a novidade é que agora, ele acerta. Saque, direita, esquerda...Tudo dentro, com uma regularidade assustadora. Acostumado a deslocar seus oponentes com poderosos forehands de 180 km/h, González teve hoje a desagradável surpresa de ver todos seus mísseis voltarem para ele com uma força ainda maior. O chileno ainda teve gás para empatar o jogo em 2-2 e abrir 4-1 no quinto set, mas o sueco manteve a calma, ganhou os cincos games seguintes e fechou a partida. Não sei se Soderling vai continuar nesse ritmo, mas uma coisa é certa: o tênis que vem exibindo desde que ganhou do Nadal é de nível Top 5.
Federer também teve bastante dificuldade contra Del Potro, que com apenas 20 anos disputava sua primeira semifinal de um torneio de Grand Slam. O argentino, que tinha um retrospecto pouco animador de cinco derrotas em cinco jogos contra o número dois do mundo, quase obteve hoje sua primeira vitória. Usando bem suas melhores armas, o saque e a direita, a ‘Torre de Tandil’ dominou Federer durante três sets, antes de desabar completamente e deixar o suíço fechar a partida com parciais de 3-6, 7-6, 2-6, 6-1 e 6-4.
O que esperar da decisão de domingo, que será a 19ª de Federer em torneios de Grand Slam? O número dois do ranking, que venceu Soderling nove vezes em nove jogos, é o grande favorito deste confronto, e aí é que mora o perigo. ‘Fed’ sabe que dificilmente terá outra oportunidade tão clara de faturar o único Grand Slam que lhe falta e igualar o recorde de 14 títulos de Pete Sampras. Já Soderling vai entrar como franco-atirador, e não terá absolutamente nada a perder. Como fez contra José Acasuso, Tommy Haas ou Del Potro, o suíço vai ter que ser paciente, e saber esperar a hora certa para dar o bote. O sueco, por sua vez, terá que abstrair o fato de estar disputando uma final de Grand Slam e jogar como jogou contra Nadal, Davydenko e González: com eficiência, determinação e, o que é mais importante, com a cabeça no lugar.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Dá-lhe, Monfils!
Vejam só esse ponto inacreditável de Gaël Monfils contra o austríaco Jürgen Melzer, na terceira rodada do Aberto da França. O francês acabou perdendo para Roger Federer nas quartas-de-final, mas quando está bem fisicamente é, sem dúvida alguma, um dos melhores tenistas do mundo no piso de saibro. Confiram!
http://www.youtube.com/watch?v=BY2JsnDLvYI
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