sexta-feira, 5 de junho de 2009

Final inédita no Aberto da França

Quem teria apostado, há duas semanas, numa final de Roland Garros entre Robin Soderling e Roger Federer? A presença do número dois do mundo, vice-campeão do Aberto da França em 2006, 2007 e 2008, não chega a ser uma surpresa, mesmo que o suíço esteja longe de seu melhor nível. Já a de Soderling, que nunca disputou qualquer final de um torneio ATP no piso de saibro em toda sua carreira, pode até ser considerada uma aberração.

O tresloucado sueco mostrou que sua vitória contra Rafael Nadal, tetracampeão e favorito a mais um título em Roland Garros, nas oitavas-de-final, não foi um mero acaso. Depois de eliminar o número um do mundo, se livrou de Nikolay Davydenko e de Fernando González - dois adversários perigosíssimos - com a mesma autoridade. Nas quartas-de-final, o russo não viu a cor da bola e foi derrotado por 6-1, 6-3 e 6-1. O chileno, dono da melhor direita do circuito, deu mais trabalho, mas acabou perdendo com parciais de 6-3, 7-5, 5-7, 4-6 e 6-4.

O que deu em Robin Soderling, 24 anos, 25º mundial e vencedor até agora de apenas três torneios da ATP, todos no piso sintético? Como se tornou de repente um tenista capaz de eliminar, um após o outro, três dos melhores atletas do circuito, justamente no único Grand Slam disputado na terra batida, onde nunca brilhou? Como um cara conhecido pelo temperamento explosivo e pela irregularidade se transformou em máquina mortífera, frio e calculista? Será a colaboração com Magnus Norman, ex-número dois do mundo e vice-campeão do Aberto da França em 2000? A mão sempre foi pesada, mas a novidade é que agora, ele acerta. Saque, direita, esquerda...Tudo dentro, com uma regularidade assustadora. Acostumado a deslocar seus oponentes com poderosos forehands de 180 km/h, González teve hoje a desagradável surpresa de ver todos seus mísseis voltarem para ele com uma força ainda maior. O chileno ainda teve gás para empatar o jogo em 2-2 e abrir 4-1 no quinto set, mas o sueco manteve a calma, ganhou os cincos games seguintes e fechou a partida. Não sei se Soderling vai continuar nesse ritmo, mas uma coisa é certa: o tênis que vem exibindo desde que ganhou do Nadal é de nível Top 5.

Federer também teve bastante dificuldade contra Del Potro, que com apenas 20 anos disputava sua primeira semifinal de um torneio de Grand Slam. O argentino, que tinha um retrospecto pouco animador de cinco derrotas em cinco jogos contra o número dois do mundo, quase obteve hoje sua primeira vitória. Usando bem suas melhores armas, o saque e a direita, a ‘Torre de Tandil’ dominou Federer durante três sets, antes de desabar completamente e deixar o suíço fechar a partida com parciais de 3-6, 7-6, 2-6, 6-1 e 6-4.

O que esperar da decisão de domingo, que será a 19ª de Federer em torneios de Grand Slam? O número dois do ranking, que venceu Soderling nove vezes em nove jogos, é o grande favorito deste confronto, e aí é que mora o perigo. ‘Fed’ sabe que dificilmente terá outra oportunidade tão clara de faturar o único Grand Slam que lhe falta e igualar o recorde de 14 títulos de Pete Sampras. Já Soderling vai entrar como franco-atirador, e não terá absolutamente nada a perder. Como fez contra José Acasuso, Tommy Haas ou Del Potro, o suíço vai ter que ser paciente, e saber esperar a hora certa para dar o bote. O sueco, por sua vez, terá que abstrair o fato de estar disputando uma final de Grand Slam e jogar como jogou contra Nadal, Davydenko e González: com eficiência, determinação e, o que é mais importante, com a cabeça no lugar.

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