Rafael Nadal anunciou nesta sexta-feira em Londres que não vai disputar o Torneio de Wimbledon, o terceiro Grand Slam da temporada, do qual é o atual campeão.O anúncio não chega a ser uma surpresa, já que o espanhol vinha reclamando há várias semanas - desde sua derrota para Robin Soderling nas oitavas-de-final de Roland Garros - de dores persistentes nos joelhos, um problema que já o atormentou várias vezes no passado.
Na semana passada, Nadal desistiu de participar do Torneio de Queen's, do qual também era o campeão, pelo mesmo motivo. O número um do mundo, que se dedicou a um programa de recuperação intensivo em Barcelona antes de viajar a Londres, na terça-feira, tinha dito que só jogaria se estivesse 100%.
'Rafa' só tem 23 anos, e nunca conseguiu terminar uma temporada inteiro. Que o circuito profissional de tênis é muito exigente todo mundo sabe, mas o problema do espanhol vai além. O jogo dele é baseado em 90% na força física e na resistência, e o corpo humano não foi feito para aguentar uma carga de trabalho tão intensa por tantas semanas consecutivas. Não sei por quantos anos Nadal ainda vai poder jogar em alto nível, mas uma coisa é certa: ele não terá vida longa no tênis, como tiveram, por exemplo, Andre Agassi ou Fabrice Santoro.
Na ausência de Nadal, o caminho fica livre para Andy Murray, que faturou na semana passada no Queen's seu primeiro título na grama e sonha em ser o primeiro britânico a levantar a taça em Wimbledon desde Fred Perry em 1936. Seus principais adversários até as quartas se chamam Marat Safin e Fernando González, ambos avessos à grama. No lugar de Nadal, deverá pegar Andy Roddick, vice em 2004 e 2005, nas semifinais, em um jogo que, se acontecer, será sem dúvida um dos pontos altos do torneio. Na verdade, se o escocês conseguir superar a enorme pressão que pesa sobre seus ombros, tem tudo para ir até o fim.
Roger Federer, cheio de moral depois da conquista do Aberto da França, é obviamente o maior favorito ao título, que seria seu sexto em Wimbledon e seu 15º Grand Slam. O suíço, que voltará à liderança do ranking mundial se ganhar o torneio, tem uma chave muito tranquila até as oitavas, onde tem encontro marcado com o sueco Robin Soderling, seu adversário na decisão de Roland Garros. Se vencer, pegará provavelmente Fernando Verdasco ou o vencedor do duelo entre Ivo Karlovic e Jo-Wilfried Tsonga, antes de uma eventual semifinal contra Novak Djokovic e a final contra Murray que todos - sobretudo os ingleses - esperam.
Um que pode surpreender é Tommy Haas, que conquistou domingo o Torneio de Halle e parece estar voltando a seu melhor nível. Se conseguir manter a cabeça no lugar durante todo o torneio, o lunático alemão poderá travar um duelo muito interessante contra Djokovic nas quartas-de-final.
A tristeza de Nadal fez a alegria de Thiago Alves, que entrou na chave principal como lucky loser graças à desistência do espanhol. O paulista, 120º mundial, enfrentará na primeira rodada o veterano romeno Andrei Pavel, que voltou recentemente de aposentadoria e ocupa apenas o 911º lugar do ranking da ATP. Excelente oportunidade para passar, pela primeira vez, uma rodada em Wimbledon. Próximo adversário provável: Gilles Simon.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário