domingo, 5 de julho de 2009

O céu é o limite

Aos 27 anos, Roger Federer entrou definitivamente para a história do tênis. O suíço faturou o hexacampeonato em Wimbledon, o 15º título de Grand Slam de sua carreira, ao vencer uma batalha de mais de quatro horas contra Andy Roddick. De quebra, ainda recuperou a liderança do ranking mundial.
A grande pergunta agora é a seguinte: onde ele vai parar? Federer escreve a história a cada dia, derrubando recorde após recorde. Com o triunfo de hoje, deixou definitivamente Pete Sampras para trás. O suíço é hoje o único a ter conquistado 15 Grand Slams, em quatro pisos diferentes, e essa marca vai ficar intocada por um bom tempo. Além de Federer, somente três tenistas se impuseram em Roland Garros e em Wimbledon na sequência desde o início da era open, em 1968: Rod Laver, Bjorn Borg e Rafael Nadal.
Roddick foi um guerreiro. Lutou como um verdadeiro campeão, e merecia a vitória. Não fosse o Federer, o norte-americano já estaria com cinco títulos de Grand Slam no currículo, em vez de apenas um. Hoje, 'A-Rod' jogou com o coração. Deu tudo e mais um pouco. Porém, mais uma vez, não foi suficiente. Chega a ser desesperador.
Não foi uma final com longas trocas de bola. Foram 4 horas e 16 minutos de serviços e devoluções. Uma verdadeira guerra de nervos, para ver quem ia conseguir quebrar o saque do outro. O tenista do Texas aproveitou a primeira chance que teve e faturou o primeiro set. Poderia ter vencido o segundo no tie-break. Teve quatro chances de fechar e desperdiçou todas, uma delas com um voleio desastrado que vai lhe tirar muitas horas de sono. A partir daí, o 'Expresso Federer' parou de ser generoso. Ganhou o segundo e o terceiro set, também no tie-break. No terceiro, Roddick não teve nenhuma chance de quebra.
Nesse ponto, pensei que o jogo já estava acabado. Ledo engano. 'A-Rod' não quis largar o osso. Contra um adversário que o derrotara 18 vezes em 20 partidas (agora 19 em 21), acreditou em suas chances, manteve a cabeça no lugar e foi à luta. Além do conhecido chumbo grosso no serviço e no forehand, o norte-americano desenvolveu um backhand avassalador, sobretudo na paralela, e um voleio cada vez mais afiado, ainda que possa melhorar bastante nesse fundamento. De tanto acreditar, o impossível aconteceu: Roddick quebrou novamente o saque de Federer e fechou a quarta parcial.
O quinto set - o primeiro nos 21 confrontos entre os dois - foi antológico. Nem tanto pela parte técnica, mas no aspecto emocional. A tensão atingiu seu cúmulo. Federer cometeu muitos erros não forçados, e só não perdeu devido à desmoralizante eficiência do seu saque. O suíço fez cair sobre o norte-americano uma verdadeira chuva de aces (50 no total durante a partida, recorde absoluto na história do torneio). Roddick resistiu o tanto que pôde. Mas não aguentou. Ninguém aguentaria. Placar final: 5-7, 7-6, 7-6, 3-6, 16-14. Isso mesmo, 16-14. O quinto set durou uma hora e meia.
Após uma derrota cruel como essa, é duro levantar a cabeça. O próprio Federer já passou por isso no ano passado, quando perdeu a final de Wimbledon para Rafael Nadal em um jogo que entrou para a história. Roddick vai ficar abalado por um tempo, mas é um vencedor, um verdadeiro campeão, e com certeza estará de volta.

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