quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Sorteio do US Open

Voltei logo no dia do sorteio do US Open, que começa segunda-feira no complexo de Flushing Meadows, em Nova York. Os dois brazucas que estão na chave principal, Marcos Daniel e Thiago Alves, vão enfrentar, respectivamente, José Acasuso e Lleyton Hewitt.
O número um do Brasil, 57º do ranking, não terá moleza, mas poderia ter sido pior. Acasuso, 52º do mundo, é bom jogador, mas é muito melhor no saibro do que no cimento. Marcos pode desde já se preparar para longas trocas de bola do fundo da quadra. O jogo será demorado, e cansativo. Para o tenista de Passo Fundo, o desafio é ganhar sem gastar muita energia porque o vencedor enfrentará muito provavelmente David Ferrer na segunda rodada. Outra maratona, só que de um nível bem superior.
Já Thiago pegou uma autêntica pedreira. Após anos de decadência, o ex-número um mundial, campeão do US Open em 2001 e de Wimbledon em 2002, está aos poucos recuperando seu melhor nível. O australiano, atual 32º do mundo, faturou este ano o Torneio de Houston, e chegou às quartas em Wimbledon e no Masters 1000 de Cincinnati. Hewitt está embalado, e vai ser difícil, mas muito difícil mesmo, para o tenista de São José do Rio Preto, que terá que jogar seu melhor tênis se quiser vencer.
Thomaz Bellucci, que disputa o qualifying, derrotou a promessa búlgara Grigor Dimitrov em sets diretos e está a uma vitória da chave principal. Seu próximo adversário sairá do duelo norte-americano entre Scoville Jenkins e Mike McClune.

Roger Federer, campeão domingo em Cincinnati, terá uma estreia tranquila contra o desconhecido norte-americano David Britton. Já Andy Murray deverá tomar cuidado com o talentoso letão Ernests Gulbis. Novak Djokovic vai encarar o experiente croata Ivan Ljubicic.

No mais, a maior atração desta primeira rodada do US Open será um duelo potencialmente explosivo entre Rafael Nadal e Richard Gasquet. Será o primeiro jogo do francês desde sua suspensão de dois meses e meio por ter sido flagrado com cocaína. O lado bom é que ninguém espera que ele ganhe. Vai jogar sem nenhuma pressão, exatamente como gosta de jogar. Pode até surpreender, mas sinceramente não acredito numa vitória do tenista de Béziers.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Favoritos e tendências

Andei bastante ocupado esses dias e não tive tempo de escrever no blog. O Masters 1000 de Cincinnati já está nas quartas-de-final e, considerando também os resultados do Masters 1000 do Canadá (vitória de Andy Murray sobre Juan Martin Del Potro na final), já dá para confirmar algumas tendências antes do US Open:

- Andy Murray aparece cada vez mais como o primeiro favorito ao título em Nova York, superando até Roger Federer. Campeão em Washington e em Montreal, o escocês, que defende o título em Cincy, vem fazendo uma grande campanha em Ohio, com vitórias em sets diretos sobre Nicolas Almagro (7-6, 6-2) e Radek Stepanek (6-4, 6-1). Agora, salvo uma altamente improvável derrota para o francês Julien Benneteau nas quartas-de-final, Murray deverá enfrentar Federer numa semifinal que poderá ter valor de ensaio geral antes da decisão do US Open. No ano passado, o suíço derrotou o escocês na final do último Grand Slam da temporada. Mas agora o tenista de Dunblane está mais maduro, mais experiente e mais afiado. Além disso, o retrospecto dele contra o número um mundial é amplamente favorável, com seis vitórias para apenas duas derrotas.

- Rafael Nadal continua sendo uma incógnita. Eliminado por Del Potro nas quartas-de-final em Montreal, o espanhol continua vivo em Cincinnati, mas teve dificuldades para passar pelo italiano Andreas Seppi (7-6, 7-6) e pelo francês Paul-Henri Mathieu (7-5, 6-2). Agora, pega seu desafeto Tomas Berdych, um adversário de outro calibre. Desde que voltou às quadras, ‘Rafa’ não tem mostrado o tênis necessário para faturar o único Grand Slam que lhe falta. Mas se por ventura triunfar em Cincy - o que duvido muito - enviará um recado certeiro a Federer e Murray.

- Roger Federer caiu nas quartas em Montreal, ao protagonizar contra Jo-Wilfried Tsonga a virada mais incrível da temporada até agora (ver post anterior). O número um mundial encara hoje em Cincinnati o australiano Lleyton Hewitt por uma vaga nas semifinais. A campanha dele em Ohio não foi das mais empolgantes, com direito a batalha contra David Ferrer nas oitavas (3-6, 6-3, 6-4), mas Grand Slam é Grand Slam e o suíço, que já arrebatou 15 deles, sabe disso como ninguém.

- Difícil dizer se Novak Djokovic vai longe nesse US Open. Perdeu nas quartas em Montreal e ainda está vivo em Cincinnati, onde superou o veterano croata Ivan Ljubicic (7-6, 6-4) e o ascendente francês Jérémy Chardy (7-5, 6-3). Vai enfrentar agora o francês Gilles Simon, que surpreendeu o russo Nikolay Davydenko nas oitavas. Apesar dos bons resultados obtidos no saibro europeu, ‘Nole’ continua devendo nesta temporada. Está jogando muito menos do que jogava em 2008. Talento ele tem de sobra, mas neste momento o sérvio está muito abaixo de Federer e Murray, e até de Andy Roddick, que deu uma boa melhorada este ano e corre por fora na briga pelo título em Nova York.

Vou viajar amanhã e só voltarei quarta-feira à noite. Não vou poder comentar o fim do Masters 1000 de Cincinnati, mas estarei a postos para o US Open.

sábado, 15 de agosto de 2009

Que pena, Tsonga!

Jo-Wilfried Tsonga pode deixar o Canadá de cabeça erguida. O carismático francês perdeu para Andy Murray nas semifinais do Masters 1000 de Montreal, em sua melhor campanha num torneio deste porte desde seu triunfo em Paris no fim do ano passado. O placar final, de 6-4 e 7-6, mostra que a partida não foi fácil para o escocês, que saiu vencedor de uma batalha de quase duas horas. Com a vitória, ele garantiu o segundo lugar do ranking mundial, independentemente da decisão de domingo, contra Andy Roddick ou Juan Martin Del Potro.
Na verdade, Tsonga "ganhou" o torneio ontem, quando superou Roger Federer em uma das viradas mais espetaculares da temporada. Que jogo!
Como era de se esperar, o primeiro set foi muito parelho, com o francês jogando de igual para igual com o suíço. A parcial foi para o tie-break, e Tsonga venceu por 7/5. Até aí, tudo normal.
Não é raro que Federer demore um set para engatar a segunda e começar realmente a jogar o que sabe. E desta vez não foi diferente: o número um mundial elevou drasticamente o nível de seu jogo, fechou o segundo set por 6-1 e abriu 5-1 no terceiro. A essa altura do campeonato, todos - inclusive Federer - achavam que a fatura estava liquidada. Mas o tenista do Le Mans, que ainda sentiu o braço durante a partida, não é do tipo que se entrega. É um verdadeiro guerreiro, da mesma raça que Rafael Nadal ou Lleyton Hewitt.
Soltando o braço, arriscando tudo na direita e sacando bem, o francês começou a acumular os games. Cinco, no total. A 6-5, 0-40 no saque do Federer, o suíço deu uma despertada, salvou os três match-points e forçou mais uma decisão no tie-break. Mas não adiantou. O dia era mesmo de Tsonga, que fechou por 7/3 com direito a uma dupla falta do número um mundial no match-point. Resultado final: 7-6 (7/5), 1-6, 7-6 (7/3). Parabéns, campeão. Valeu a garra.

Com a vitória de Tsonga, três dos quatro 'Mosqueteiros' franceses já derrotaram Roger Federer. Richard Gasquet mostrou o caminho nas quartas-de-final do Masters 1000 de Montecarlo de 2005, na época, diga-se de passagem, em que o astro estava no auge. Gilles Simon demorou mais de três anos para imitar o colega, justamente no Masters 1000 de Toronto. Já Gaël Monfils enfrentou o suíço cinco vezes, mas ainda não o venceu. Com certeza oportunidades não faltarão.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Murray pode desbancar Nadal

Andy Murray está indo bem no Masters 1000 de Montreal. O escocês se livrou com autoridade de Jérémy Chardy (6-4, 6-2) e Juan Carlos Ferrero (6-1, 6-3) e já está nas quartas-de-final do torneio canadense.
Rafael Nadal, que está enfrentando neste momento o alemão Philipp Petzschner nas oitavas, ainda não ganhou ritmo de jogo, já que seu adversário da segunda rodada, David Ferrer, desistiu da partida ainda no primeiro set devido a dores em um joelho. Ainda assim, ‘Rafa’ tem tudo para derrotar o 45º do ranking mundial. Contudo, quem o aguarda nas quartas-de-final é um embalado Juan Martin Del Potro, campeão domingo do Torneio de Washington, que sofreu mais do que o previsto para superar o romeno Victor Hanescu (3-6, 6-3, 6-4) e parece ter sentido uma dor no ombro direito.
Se a 'Torre de Tandil' estiver 100%, o jogo de amanhã será um verdadeiro teste para o espanhol, que não joga uma partida completa no circuito desde as oitavas-de-final do Aberto da França.
A pressão é forte em cima do tenista de Mallorca, ainda mais porque se perder, correrá o risco de ser desbancado por Murray da vice-liderança do ranking mundial. Nadal tem 9285 pontos, e o escocês está com 8260.
No entanto, o tenista de Dunblane também vai pegar uma pedreira nas quartas. Nikolay Davydenko passou por cima de Paul-Henri Mathieu (7-6, 7-6) e Fernando González (7-6, 7-5), mostrando que a transição repentina do saibro para o sintético não é problema para ele. Antes de viajar a Montreal, o russo faturou dois títulos seguidos na terra batida, em Hamburgo e Umag. Murray está jogando bem e é o favorito deste confronto, mas eu não ficaria nada surpreso se Davydenko levasse a melhor.

Não tive a oportunidade de ver, mas parece que a partida entre Andy Roddick e Fernando Verdasco pelas oitavas-de-final foi a melhor do torneio até agora. O norte-americano venceu o espanhol por 7-6, 4-6 e 7-6 depois de uma maratona de mais de 2h30, e vai pegar agora Novak Djokovic, que vem de uma vitória convincente sobre o perigoso russo Mikhail Youzhny (6-3, 6-4). O jogo promete, mas o tenista do Texas está numa boa dinâmica e deve vencer.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A volta das feras

Roger Federer, Rafael Nadal, Andy Murray e Novak Djokovic, os quatro melhores tenistas do mundo, voltam às quadras esta semana no Masters 1000 de Montreal, o primeiro torneio importante desde Wimbledon. Como no ano passado, o quinto e o sexto do ranking, Andy Roddick e Juan Martin Del Potro, aqueceram os motores em Washington. E como no ano passado, o argentino venceu o norte-americano na final.

Roger Federer: Campeão em Roland Garros e Wimbledon, de volta à liderança do ranking mundial, o vencedor de 15 Grand Slams é, obviamente, o principal favorito ao título em Montreal. Uma ressalva, porém: o mais novo papai da praça, que não disputou uma partida desde sua épica vitória contra Roddick na final de Wimbledon, tem ficado muito em casa cuidando das filhinhas e tem tido pouco tempo para treinar. Será que isso vai atrapalhar? Acho que não. O suíço tem uma chave relativamente tranquila, com Radek Stepanek e os franceses Gilles Simon ou Jo-Wilfried Tsonga pelo caminho até uma provável semifinal contra Murray.

Rafael Nadal: O atual campeão do Masters canadense vem cercado de incertezas. Perturbado por uma tendinite nos joelhos, ‘Rafa’ está há muito tempo sem jogar e já avisou que o bi em Montreal é praticamente missão impossível. Além disso, o espanhol ficou abalado emocionalmente com a derrota para Robin Soderling nas oitavas-de-final de Roland Garros e a impossibilidade de defender seu título em Wimbledon. A chave dele é bem mais complicada que a de Federer, com duelos prováveis contra David Ferrer na segunda rodada, o norte-americano Sam Querrey nas oitavas e um embalado Del Potro nas quartas. Acho que do argentino ele não ganha.

Andy Murray: Na minha opinião, o maior favorito ao título depois de Federer. Quem vencer a semifinal entre os dois tem grandes chances de levar o título. Murray costuma brilhar no piso sintético: no ano passado, foi semifinalista em Toronto, campeão em Cincinnati e vice no US Open. Ou seja, tem muitos pontos para defender esse ano e não pode bobear. Em Montreal, o escocês deve pegar algumas pedreiras, como Jérémy Chardy na segunda rodada, Lleyton Hewitt nas oitavas e Nikolay Davydenko nas quartas. Cuidado com o russo, que está comendo a bola desde que voltou de contusão e vem de dois títulos em duas semanas (Hamburgo e Umag).

Novak Djokovic: Depois de uma grande campanha no saibro europeu (vice em Montecarlo e Roma, campeão em Belgrado e semifinalista em Madri) encerrada de forma melancólica com a derrota para o alemão Philipp Kohlschreiber na terceira rodada de Roland Garros, o sérvio não foi tão mal na grama, com o vice-campeonato em Halle e as quartas-de-final em Wimbledon. Em ambos os casos, foi parado por um excelente Tommy Haas. ‘Nole’ é versátil e sabe jogar em todos os pisos, mas acho que está um pouco abaixo dos demais neste momento. Pode pegar o perigoso Marin Cilic nas oitavas e, se vencer, Roddick o aguardará nas quartas.

‘A-Rod’, Davydenko e Del Potro correm por fora na briga pelo título, que deve ser decidido na semifinal entre Federer e Murray. É óbvio que Nadal e Djokovic, dois atletas excepcionais, sempre podem surpreender, mas não incluo eles entre os favoritos em Montreal. E vocês? O que acham?

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Breves de tênis


Começou esta semana o Torneio de Washington, disputado no piso sintético. Como o Masters 1000 de Montreal começa amanhã, as maiores feras do circuito ainda não voltaram às quadras, com exceção de Andy Roddick e Juan Martin Del Potro. O argentino vai duelar com o chileno Fernando González por uma vaga na final do DC Open. Já o norte-americano joga hoje à noite contra o gigante croata Ivo Karlovic por uma vaga nas semifinais.

500

'A-Rod', quinto mundial e principal favorito ao título em Washington, derrotou ontem à noite nas oitavas-de-final do DC Open seu "sósia" Sam Querrey, ao término de uma verdadeira guerra de saques. A vitória, por 7-6 e 6-4, seria anedótica, não fosse a 500ª do texano no circuito principal. Somente 36 tenistas conseguiram chegar a essa marca em toda a história do esporte. Roddick é o quarto jogador ainda em atividade a chegar às 500 vitórias, depois de Roger Federer (657), Carlos Moya (573) e Lleyton Hewitt (511), eliminado por Del Potro nas oitavas em DC.

Qualifyer brilha

O francês Sébastien De Chaunac (na foto acima), 181º mundial, fez excelente campanha no DC Open. Passou pelo qualifying, superou o uzbeque Denis Istomin na primeira fase e principalmente o russo Dmitry Tursunov, 32º do ranking, na rodada seguinte. O francês de 31 anos foi parado nas oitavas pelo gigante norte-americano John Isner, mas tem motivos de sobra para comemorar. Outra grande surpresa em Washington: a vitória do indiano Somdev Devvarman, 153º mundial, sobre o croata Marin Cilic, 15º, na segunda rodada.

Brasil x Argentina em Campos

O Challenger de Campos do Jordão terá uma final Brasil-Argentina: Thiago Alves superou hoje nas semifinais o gaúcho Marcelo Demoliner por 6-3 e 6-4, e Horacio Zeballos eliminou o perigoso Juan Ignacio Chela com parciais de 6-4, 3-6 e 6-2. O tenista de São José do Rio Preto busca seu primeiro título da temporada, depois de bater na trave no Challenger de Pozoblanco, na Espanha. Uma vitória nas quadras rápidas de Campos lhe dará confiança para repetir, ou até melhorar, a grande campanha no US Open do ano passado, quando furou o quali e deu trabalho a Roger Federer na segunda rodada.

Caso Gasquet

A Federação Internacional de Tênis (ITF) decidiu recorrer da suspensão de dois meses e meio imposta a Richard Gasquet por uso de cocaína, por considerar a sentença muito branda. A tendência é que a ITF exija uma suspensão de dois anos, algo que pode acabar definitivamente com a carreira do talentoso francês. Gasquet, cuja suspensão de dois meses e meio terminou no mês passado, não vai jogar em Montreal, mas avisou que continua treinando para estar pronto para o US Open, que começa no fim deste mês.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Missão cumprida

Finalmente. Já estava mais do que na hora de um brasileiro voltar a vencer um evento do circuito principal. Thomaz Bellucci encerrou um jejum de quase cinco anos ao faturar domingo no saibro de Gstaad o primeiro ATP 250 de sua carreira. O paulista de 21 anos derrotou na final o alemão Andreas Beck por 6-4 e 7-6, acabando com uma seca de troféus que começou logo após o título conquistado por Ricardo Mello em setembro de 2004 em Delray Beach.
Embalado pelas grandes vitórias obtidas pelos Top 30 Stanislas Wawrinka e Igor Andreev, Bellucci, totalmente focado e ciente de seu potencial, não tremeu na Hora H e mostrou solidez e competência para se livrar de Beck, agora 39º do mundo. Nem a interrupção de uma hora por causa da chuva conseguiu tirar a concentração do brasileiro.
Depois de uma vitória como essa, o maior desafio é não relaxar. Após a grande campanha de fevereiro na Costa do Suípe, onde ficou com o vice do Brasil Open, Thomaz sentiu a pressão e acabou acumulando uma série de derrotas que provocaram sua queda no ranking da ATP. A reação demorou um pouco: só veio no mês passado com a conquista do Challenger de Rimini.
A grande campanha em Gstaad fez com que Bellucci disparasse no ranking. O jovem tenista de Tietê deu um verdadeiro salto na classificação, passando do 119º ao 66º lugar (+53!). Marcos Daniel, semifinalista em Gstaad, ganhou 15 posições e consolidou o posto de número um do Brasil, ficando em 58º. Thiago Alves aparece na 94ª posição. Pela primeira vez em muitos anos, o Brasil tem três representantes no Top 100. Agora é aproveitar o embalo para crescer ainda mais.

Em tempo: A grande vitória de Bellucci não teve o destaque que deveria ter tido. A Folha e o Estado noticiaram a conquista em seus cadernos esportivos. Já o Globo se limitou a publicar uma pequena foto com legenda no meio de uma coluna de resultados. Ao menos a Folha publicou uma foto de Thomaz em sua manchete. É pouco, muito pouco. Cabe aos tenistas mudarem essa situação, e isso só virá com o acúmulo de vitórias no circuito principal. Mas é verdade que a imprensa podia ajudar.

Em tempo 2: A grande campanha de Bellucci e Daniel em Gstaad não deve ofuscar a excelente vitória de Júlio Silva sobre o argentino Eduardo Schwank domingo na final do Challenger de Belo Horizonte. O tenista de Jundiaí ganhou do 'hermano' por 4-6, 6-3 e 6-4 e subiu 34 posições no ranking da ATP, chegando às portas do Top 200 (204º). Parabéns, Julinho!

sábado, 1 de agosto de 2009

Bellucci vence e decide em Gstaad

O sonho brasileiro de conquistar um primeiro ATP desde 2004, ano da grande campanha de Ricardo Mello em Delray Beach, pode se concretizar neste domingo. Em mais uma excelente atuação, Thomaz Bellucci superou o perigoso russo Igor Andreev em sets diretos (6-4, 7-5) e se classificou para a decisão do Torneio de Gstaad, que será a segunda de sua carreira no circuito principal.
Thomaz soube crescer na hora certa. Depois de passar pelo qualifying, o paulista de 21 anos teve uma primeira rodada complicada contra o local Michael Lammer, 188º do mundo, vencendo por 6-7, 7-6 e 6-4. Em seguida, veio o jogo de referência: duplo 6-4 contra o grande favorito do torneio, Stanislas Wawrinka. Contou com a sorte para passar por Nicolas Kiefer nas quartas (o alemão desistiu no início do segundo set), e voltou a exibir um grande tênis hoje na semifinal contra Andreev.
Bellucci vai enfrentar domingo não Marcos Daniel, mas o alemão Andreas Beck, que derrotou o gaúcho por 7-6 e 6-3 na outra semifinal e acabou com o sonho brasileiro de ver pela primeira vez uma decisão 100% verde e amarela num torneio da ATP fora do país. Em todo caso, parabéns a Marcos, que fez a melhor campanha de sua carreira em um evento do circuito principal e consolidou seu posto de número um do Brasil.
Beck, 51º mundial, é um bom tenista, nada mais do que isso. E Thomaz não tem mais a pressão da primeira vez já que foi vice no início deste ano na Costa do Sauípe. No Brasil Open, Bellucci perdeu uma dura batalha de três sets contra Tommy Robredo, este sim uma figura tarimbada do circuito. Por todos esses motivos, acho que chegou a hora. A hora do Thomaz, a hora do Brasil.

Cabe destacar, por sinal, que o Brasil terá segunda-feira três representantes no Top 100. Marcos Daniel, Thomaz Bellucci e Thiago Alves. O momento é bom, agora é continuar no embalo.