quinta-feira, 30 de abril de 2009

Venturas e desventuras em Roma

O Masters 1000 de Roma já está nas quartas-de-final, e algumas tendências começaram a se desenhar no saibro lento e pesado do Foro Italico, alagado por uma chuva constante desde o início do torneio.

Andy Murray foi eliminado logo na estreia pelo argentino Juan Monaco, um especialista do saibro que já esteve às portas do Top 10 mas que ocupa hoje o 58º lugar do Ranking de Entradas da ATP. O escocês ainda não obteve nenhum resultado expressivo na terra batida, e vai precisar melhorar neste piso se quiser fazer bonito no Aberto da França.

Depois de um início de temporada decepcionante, Novak Djokovic parece ter escolhido o saibro como cenário para sua ressurreição. O sérvio chegou à final do Masters 1000 de Monte Carlo e se classificou para as quartas-de-final do Foro Italico com vitórias convincentes sobre os espanhóis Albert Montanes (7-6, 6-0) e Tommy Robredo (6-1, 6-1). O terceiro mundial, que pode perder o posto para Murray se não for pelo menos até a final em Roma, está se firmando cada vez mais como o segundo melhor jogador da temporada no saibro.

Roger Federer deu hoje alguma esperança a seus fãs ao obter contra Radek Stepanek, um tenista contra quem costuma ter problemas, sua primeira vitória convincente da temporada no piso de saibro. O suíço venceu bem, por 6-4 e 6-1, e ainda ganhou de presente uma próxima rodada teoricamente tranqüila, contra a ‘zebra’ alemã Mischa Zverev.

Rafael Nadal está mais arrasador do que nunca. Depois de uma primeira rodada tranqüila contra o italiano Andreas Seppi (6-2, 6-3) o trator de Mallorca teve hoje o prazer de passar por cima de seu desafeto Robin Soderling, um dos jogadores mais odiados do circuito, a quem deixou apenas o primeiro game da partida (6-1, 6-0). O número um mundial está se adaptando aos poucos à terra batida, e crescendo assustadoramente a cada jogo. Fernando Verdasco, seu próximo adversário, já deve estar tremendo nas bases. A esta altura do campeonato, já virou chavão dizer que ‘Rafa’ está evoluindo em outra dimensão e é favoritíssimo a um quinto título seguido em Roland Garros.

As supresas

- Mischa Zverev, a ‘zebra’: o jovem alemão de 21 anos, nascido em Moscou, se classificou pela primeira vez na carreira às quartas-de-final de um Masters 1000 com grandes vitórias sobre Tomas Berdych, Paul-Henri Mathieu e Gilles Simon. Dono de um estilo de jogo bastante ofensivo e de um primeiro saque pesado, Zverev ocupa atualmente a 73ª posição do ranking mundial. Não acho que ele causará problemas a Federer, mas em todo caso a viagem a Roma já rendeu muito além do esperado.

- Richard Gasquet, a volta: depois de uma longa travessia do deserto, o talentoso francês e seu backhand mágico renasceram em Roma. Gasquet venceu, no mesmo dia, Jo-Wilfried Tsonga e Ernests Gulbis, antes de parar em Fernando Verdasco, um dos melhores tenistas deste início de temporada. Apesar da derrota, Gasquet jogou bem, com raça e determinação, e deu novas esperanças ao tênis francês na perspectiva da chegada de Roland Garros.

Os palpites

Roger Federer- Mischa Zverev: Federer

Novak Djokovic-Juan Martin Del Potro: Djokovic. O argentino é um grande jogador, mas ao contrário da grande maioria de seus conterrâneos, joga muito mais no piso sintético do que no saibro.

Fernando González-Juan Monaco: Jogo duro. Difícil prever um vencedor. González é melhor, mas Monaco vem de grandes vitórias sobre Murray e o croata Marin Cilic, e está cheio de confiança. Por outro lado, disputou o qualifying, e deve estar começando a sentir o cansaço. Apesar disso, vou apostar no argentino.

Rafael Nadal-Fernando Verdasco: Precisa dizer?

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Benvenuti agli Internazionali d’Italia

Começou hoje, sob forte chuva, o Masters 1000 de Roma, uma das principais etapas da temporada de saibro antes do Aberto da França, no fim de maio.
Stanislas Wawrinka, vice-campeão em Roma no ano passado, foi um dos oito tenistas que conseguiram passar entre as gotas para avançar à segunda rodada. O número dois da Suíça bateu o russo Igor Kunitsyn por 6-3 e 6-4 e aguarda agora o vencedor do duelo entre os qualifyers Mikhail Youzhny e Daniel Gimeno Traver. Deve estar torcendo muito pela vitória do segundo.
James Blake, 16º do mundo, perdeu para o qualifyer romeno Victor Crivoi, 112º mundial, com parciais de 7-5 e 6-3. O resultado não é realmente uma surpresa, levando em conta a conhecida aversão dos norte-americanos pelo piso de saibro. Andy Roddick, por sinal, nem se deu ao trabalho de ir a Roma. É verdade que ele se juntou a Roger Federer no time dos recém-casados: no dia 17 deste mês, em Austin, Texas, ‘A-Rod’, 26 anos, disse “sim” à modelo Brooklyn Decker, 21 anos.
É impossível fugir do óbvio na hora de adiantar um favorito. Rafael Nadal, que faturou domingo o penta em Barcelona – sem perder um único set - uma semana depois de ter realizado a mesma façanha em Monte Carlo, vem com tudo para estes “Internazionali d’Italia”. Desta vez, porém, o número um mundial não está em busca do quinto título seguido: no ano passado, perturbado por bolhas gigantes nos pés, ele perdeu logo na estreia para Juan Carlos Ferrero, depois de ter faturado o título em 2005, 2006 e 2007. Se vencer este ano, será o primeiro tetracampeão da história do torneio, que existe desde 1968.
Novak Djokovic, o atual campeão, tem uma chave tranquila até as quartas, etapa em que deverá encarar Juan Martin del Potro ou o próprio Wawrinka, antes de uma eventual semifinal contra Federer. Andy Murray tem uma estreia complicada contra o argentino Juan Monaco, e deverá cruzar com Fernando González ou Nikolay Davydenko nas quartas-de-final. Em todo caso, dificilmente passará das semifinais já que está na chave do Nadal. A grande diferença entre Djokovic e Murray é que o escocês não tem nenhum ponto a defender e vem a Roma sem qualquer pressão.
Thomaz Bellucci, único representante do Brasil no Foro Italico, pega logo na estreia Feliciano Lopez, um adversário que já enfrentou este ano, na primeira rodada do Challenger de Sunrise (vitória do espanhol por duplo 7-6). Ao contrário de 98% de seus conterrâneos, Lopez é um tenista que se expressa melhor em quadras rápidas. Bellucci, vice-campeão do Brasil Open em fevereiro mas que não vem tendo bons resultados no saibro – perdeu na primeira rodada em Casablanca e em Barcelona – pode até surpreender, mas precisa reencontrar o caminho da vitória já que não vence uma partida no circuito desde Indian Wells, onde caiu na segunda fase. Se derrotar Lopez, o paulista pegará provavelmente o tcheco Radek Stepanek, e depois Roger Federer nas oitavas. Assim fica difícil sonhar com um segundo triunfo brasileiro em Roma, exatos dez anos depois da grande vitória de Guga sobre o australiano Patrick Rafter por 6-4, 7-5 e 7-6.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Sorte de campeão

Rafael Nadal está numa fase realmente excepcional. Favoritíssimo a um quinto título seguido em Barcelona, o número um mundial ainda foi beneficiado pelo abandono do argentino David Nalbandian, seu adversário nas quartas-de-final.
Abalado por uma inflamação crônica no quadril, o tenista de Córdoba, um dos únicos do circuito a ostentar um retrospecto positivo contra o guerreiro de Mallorca (2-1), anunciou sua desistência já na noite de quinta-feira, depois de sua vitória sobre Nicolas Almagro nas oitavas-de-final.
Assim, ‘Rafa’ ganhou um dia de descanso antes de encarar Nikolay Davydenko sábado nas semifinais. O retrospecto entre os dois é bastante equilibrado, já que o russo venceu dois de seus cinco duelos contra o espanhol, inclusive o último deles, nas quartas-de-final do Masters de Paris de 2008. O curioso é que todos os confrontos entre os dois tenistas aconteceram em torneios da categoria Masters (Copa Masters-2006, Roma-2007, Miami-2008, Monte Carlo-2008, e Paris-2008). Dois destes cinco duelos – Roma e Monte Carlo - foram no piso de saibro. Obviamente, Nadal ganhou ambos, e tem tudo para vencer também o terceiro neste sábado em Barcelona.
A outra semifinal, entre David Ferrer e Fernando González, não tem favorito. O espanhol e o chileno têm estilos de jogo parecidos. A diferença é que Ferrer defende melhor e tem uma excelente cobertura da quadra, e González bate mais forte, sobretudo com a direita. A capacidade de recuperação do chileno, que deixou muita energia em quadra hoje contra seu xará espanhol Fernando Verdasco (6-3, 4-6, 6-4), será a chave do confronto.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Crônica de uma vitória anunciada

Como era de se esperar, Rafael Nadal arrebatou o Masters 1000 de Monte Carlo ao derrotar Novak Djokovic por 6-3, 2-6 e 6-1 na final de domingo, conquistando, assim, um inédito pentacampeonato no Principado.
‘Rafa’ faturou em Monte Carlo seu 14º Masters 1000, igualando-se a Roger Federer e ficando a apenas três do recordista Andre Agassi.
No saibro, Nadal simplesmente não tem adversários à altura. O espanhol ostenta o retrospecto estarrecedor de 138 vitórias para apenas quatro derrotas neste piso desde 2005, o primeiro dos três anos em que triunfou consecutivamente em Monte Carlo, Barcelona, Roma e Roland Garros.Aliás, o incansável maiorquino já seguiu para Barcelona, onde também vai buscar um inédito penta.
O Masters de Monte Carlo não trouxe muitos ensinamentos: Nadal continua sendo o Rei do Saibro, mesmo jogando mais ou menos; Roger Federer já não representa mais uma ameaça na terra batida, Djokovic tem tudo para vencer nesta superfície, e Andy Murray deu sinais de que também pode surpreender no piso mais lento do circuito.
Nadal venceu, mesmo sem sobrar em quadra. Djokovic jogou muito bem e conseguiu incomodar o espanhol, autor de incríveis erros de direita, de segundos serviços no limite do ridículo (alguns nem passaram dos120 km/h!), e não tão incisivo quanto em outros anos em seus deslocamentos. Méritos para o sérvio, que passou perto de ganhar do Nadal pela primeira vez nos sete confrontos que já travaram no piso predileto do espanhol.
Nos últimos anos, a temporada do Nadal começava em Monte Carlo e terminava em Wimbledon. Em 2009, ela começou muito antes, no Aberto da Austrália. O Rei do Saibro, agora soberano em todos os pisos, precisa se adaptar ao novo status. Seu jogo, que já não é mais voltado exclusivamente para a terra batida, precisa de alguns ajustes nesta superfície. Monte Carlo foi só para aquecer as turbinas. Barcelona, onde seus adversários mais sérios são David Nalbandian (nas quartas), e Fernando Verdasco (na final) deve ser mais uma formalidade. A coisa deve esquentar em Roma, o único dos quatro torneios em que não faturou o tetra (no ano passado, incomodado por bolhas nos pés, perdeu logo na estreia para Juan Carlos Ferrero). Depois, pela primeira vez, haverá o Masters 1000 de Madri no saibro (até 2008, o torneio era disputado em outubro no piso sintético). E, finalmente, o Aberto da França, onde permanece invicto até hoje.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Fim da lua-de-mel de Federer em Mônaco

A “lua-de-mel” de Roger Federer, casado desde sábado com sua namorada de longa data, Miroslava Vavrinek, durou apenas dois dias no Masters 1000 de Monte Carlo, o primeiro grande torneio da temporada disputado em quadras de saibro. Depois de vencer na estreia o italiano Andreas Seppi por duplo 6-4, o suíço perdeu nesta quinta-feira para seu compatriota, amigo e parceiro de duplas Stanislas Wawrinka, pelo placar de 6-4 e 7-5.
O pior é que Wawrinka, 16º mundial, nem precisou jogar tão bem assim para derrotar Federer. Tanto que teve nada menos que 14 break-points a seu favor, e converteu apenas três. O número dois da Suíça é bom jogador. Tem um ótimo backhand com uma mão, um dos melhores do circuito. Se vira bem no saibro, como provou ao chegar à final do Masters de Roma no ano passado. Teve méritos hoje. Mas Federer, mais uma vez, pareceu um fantasma em quadra. Errou muito, principalmente no forehand – teoricamente sua melhor arma -, e teve as piores dificuldades para devolver o saque do rival.
Esta é a primeira vez desde 2002 que Federer, vice-campeão em Monte Carlo nos três últimos anos, cai antes das quartas-de-final no Principado. A derrota de hoje é mais uma decepção para o ex-número um do mundo, que ainda não faturou nenhum título em 2009.

Um que continua “bombando” neste início de temporada é Fernando Verdasco. Nesta quinta-feira, o oitavo mundial não tomou conhecimento de David Ferrer (6-2, 6-1) e se classificou para as quartas-de-final do torneio monegasco. Seu provável próximo adversário, Novak Djokovic, que está enfrentando neste momento o espanhol Albert Montanes, já pode começar a se preocupar, porque terá uma verdadeira pedreira pela frente.

domingo, 12 de abril de 2009

Nadal quer o penta em Monte Carlo

O Masters 1000 de Monte Carlo, que começou neste domingo, é uma das várias "casas" de Rafael Nadal. Tetracampeão no Principado, o número um mundial corre atrás de um inédito quinto título consecutivo, em um dos complexos esportivos mais charmosos do circuito.
"Esse torneio é um dos que eu mais gosto", costuma dizer Rafa, que considera Monte Carlo como uma base para a conquista do Aberto da França, que também já faturou quatro vezes (e onde está invicto até hoje).
Com exceção de Andy Roddick, cuja aversão ao saibro não é segredo para ninguém, os dez melhores tenistas do mundo estão em Mônaco, inclusive Roger Federer, vice-campeão em 2005, 2006 e 2007, que decidiu participar de última hora.
Pela primeira vez, o suíço, que ainda não ganhou um torneio este ano, se apresenta em Monte Carlo como quem não quer nada. Ninguém o vê como favorito no primeiro grande torneio da temporada de saibro, o que vai tirar um grande peso das costas dele. Quem sabe o recém-casado, que disse "sim" à namorada de longa data, Miroslava Vavrinek, sábado em sua cidade de Basileia, surpreenda a todos e curta uma boa lua-de-mel no Principado?
Ao contrário, Nadal tem toda a pressão do mundo em suas costas. Pela primeira vez, ele não se apresenta em Mônaco simplesmente como o Rei do Saibro, mas como o incontestável número um mundial, campeão de dois dos três maiores torneios já disputados este ano (Aberto da Austrália e Indian Wells). Além disso, ele tem um caminhão de pontos para defender até Wimbledon. Para qualquer tenista, seria quase impossível aguentar essa pressão. Mas Nadal não é qualquer tenista.
Além de Roddick, outros dois tenistas vão fazer falta em Monte Carlo: os franceses Richard Gasquet e Jo-Wilfried Tsonga. Assim, as maiores esperanças da França no torneio se chamam Gilles Simon, que tem pela frente Tommy Robredo e Roger Federer, e Gaël Monfils, que pode pegar Juan Martin Del Potro nas oitavas antes de encarar Nadal nas quartas-de-final. O mais provável, porém, é uma revanche Nadal-Del Potro, com o espanhol dando o troco depois de perder para o argentino nas quartas-de-final do Masters de Miami.
Também será interessante acompanhar Andy Murray, segundo melhor deste início de temporada com vitórias em Doha, Roterdã e Miami, mas que ainda não provou nada no saibro, e Novak Djokovic, que já mostrou que sabe jogar nesta superfície (foi campeão do Masters de Roma no ano passado) mas que ainda não disse a que veio em 2009.
A primeira rodada tem um jogo imperdível, entre dois ex-líderes do ranking mundial: Marat Safin e Lleyton Hewitt. O australiano acaba de ganhar moral ao faturar o Torneio de Houston, depois de quase dois anos sem títulos.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Federer vai jogar em Monte Carlo

A temporada de saibro começou esta semana, com os torneios de Houston e Casablanca, mas o Masters 1000 de Monte Carlo, que começa no dia 12 de abril, é o primeiro grande evento do ano nas quadras de terra batida.
Os organizadores do torneio - um dos mais charmosos do circuito - receberam hoje uma boa notícia: Roger Federer, que anunciara a intenção de encurtar a temporada de saibro jogando apenas os Masters de Roma e Madri antes do Aberto da França, voltou atrás em sua decisão e afirmou que vai jogar em Mônaco.
A presença de Federer, vice-campeão do torneio nos três últimos anos, é muito positiva para o evento, para o público e para o tênis de um modo geral. Frustrado por seu péssimo início de ano, em que não ganhou um torneio sequer, o suíço afirmou esses dias, sem pestanejar, que estava feliz com o fim da temporada de cimento e com o início da temporada de saibro. Seria até engraçado, se tivesse sido dito em tom de brincadeira. O número dois mundial tem 57 títulos da ATP no currículo. Destes, quantos foram conquistados no saibro? Seis? Sete, talvez?
Mas é inegável que o suíço só não ganhou em Monte Carlo por causa de um homem: Rafael Nadal, tetracampeão do torneio e favoritíssimo a mais um título no Principado.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Venceu o melhor

Andy Murray faturou o Masters 1000 de Miami ao derrotar Novak Djokovic por 6-2 e 7-5 na final de domingo.
Nada mais justo. Afinal, Murray esteve bem mais consistente durante todo o torneio, aliás, durante todo este início de temporada 2009. Desde janeiro, o escocês já ganhou três torneios (Doha, Roterdã e Miami), chegou à decisão do Masters de Indian Wells e derrotou os três homens que estão à frente dele no ranking: Rafael Nadal, Roger Federer e Novak Djokovic. Na verdade, só perdeu duas vezes em 2009: para Nadal em Indian Wells e para Fernando Verdasco nas oitavas-de-final do Aberto da Austrália.
Cabe destacar ainda que Murray pegou uma virose no início deste mês, ou seja, jogou “baleado” durante pelo menos duas semanas.
Ao contrário, Djokovic ainda está correndo atrás de seu melhor tênis. O sérvio até deu uma melhorada em Miami mas, apesar de sua vitória em Dubai, ainda não disse a que veio em 2009. Sua vantagem sobre Murray está minguando cada vez mais . Se mantiver a forma, o escocês será muito em breve o novo número três do mundo.
Outro que já deve estar olhando para o retrovisor é Federer, que ainda não ganhou nenhum título este ano e parece estar com a cabeça longe do tênis. Se continuar jogando assim, Murray não vai demorar muito para desbancar o suíço da vice-liderança do ranking.

A temporada de saibro já começou, com os torneios de Houston e Casablanca. Na cidade marroquina, Thomaz Bellucci não foi bem e caiu logo na primeira rodada, sendo derrotado pelo francês Florent Serra por duplo 6-3. No saibro cinza de Houston, o único ATP dos Estados Unidos disputado na terra batida, Marcos Daniel estreia amanhã contra o norte-americano Taylor Dent, que chegou às oitavas-de-final em Miami. Se vencer, terá que encarar logo de cara James Blake, cabeça-de-chave N.1 do torneio texano.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Inferno astral

O inferno astral de Roger Federer parece não ter fim. Irreconhecível, o suíço foi eliminado, de virada, pelo sérvio Novak Djokovic por 3-6, 6-2 e 6-3 nas semifinais do Masters 1000 de Miami.
Federer tinha tudo para vencer este torneio pela terceira vez, depois de 2005 e 2006. Vinha jogando bem, melhor que em Indian Wells, e ainda fora beneficiado pela derrota de um exausto Rafael Nadal para o argentino Juan Martin Del Potro nas quartas-de-final.
No entanto, o que se viu hoje em Miami foi indigno de um duelo entre o primeiro e o terceiro do mundo. “Novak jogou mal no primeiro set, e consegui ser ainda pior nos dois últimos”, resumiu um lúcido Federer depois de uma partida “de baixíssimo nível técnico” (as palavras são dele), em que cometeu nada menos que 47 erros não forçados, contra pouco mais de 20 ‘winners’.
Visivelmente perturbado pelo forte vento que varria a quadra, o suíço não acertou nada, ou quase nada. Em uma de suas piores partidas dos últimos cinco anos, chegou a fazer erros constrangedores, sobretudo com a direita. Deve ter se lembrado de seus tempos de juvenil. Irado, transtornado, quebrou a raquete no chão de tanta raiva.
Conseguiu ganhar o primeiro set graças aos sucessivos erros de Djokovic, mas tratou em seguida de superar seu adversário em termos de mediocridade. Ficou do sexto game do segundo set - quando o placar estava 3-2 para 'Nole' - ao quarto game da terceira parcial sem ganhar um único game, tendo o saque quebrado quatro vezes seguidas. Ganhou míseros 16 pontos em todo o terceiro set.
A derrota de hoje lembra a que Federer sofreu há duas semanas contra Andy Murray nas semifinais do Masters 1000 de Indian Wells. A diferença é que naquele jogo, faltou motivação. Desta vez, também faltou técnica.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Cansado, Nadal perde em Miami

Palpite errado. Aliás, duplamente errado. Rafael Nadal ficou, sim, muito tempo em quadra (mais de três horas!), e acabou perdendo para Juan Martin Del Potro nas quartas-de-final do Masters 1000 de Miami, pondo fim às esperanças da torcida de ver um ‘Quadrado Mágico’ com os quatro melhores tenistas do mundo nas semifinais.
Logo no quarto game do primeiro set, deu para perceber que pelo menos uma das minhas previsões iria por água abaixo. Visivelmente cansado pela enorme carga de esforços fornecida de forma contínua nas duas últimas semanas, Nadal errava muito, parecendo sem paciência para longas trocas de bola e querendo matar o ponto o mais rápido possível. O espanhol se irritou muito durante o jogo, algo que não costuma fazer. Aliás, não me lembro de já ter visto o Nadal tão destemperado numa quadra de tênis. Nervoso, desfocado, perdeu o primeiro set 6-4.Sem gasolina no tanque, o trator de Mallorca fez de tudo para voltar na partida. E conseguiu. Acertando mais a direita, ele começou a crescer no jogo, enquanto Del Potro, impecável até então, dava os primeiros sinais de cansaço. Com raça e atitude, o espanhol faturou a segunda parcial por 6-3 e abriu 3-0 no terceiro set, antes de desmoronar. Usando suas melhores armas - um saque potente e um forehand avassalador – o argentino ganhou quatro games seguidos. Desperdiçou três match-points quando o placar estava 6-5, mas foi buscar a vitória final no tie-break. Resultado: 6-4, 3-6, 7-6 (7/3). Roger Federer agradece. Para Nadal, só resta descansar e se preparar para a temporada de saibro, em que tem muitos pontos para defender.

Miami se prepara para ‘Quadrado Mágico’

O Masters 1000 de Miami está pronto para o ‘Quadrado Mágico’, ou seja, para brindar o público com semifinais eletrizantes entre os quatro melhores do mundo: Rafael Nadal e Andy Murray, e Novak Djokovic e Roger Federer.
Os dois últimos já fizeram sua parte ontem à noite derrotando, respectivamente, Jo-Wilfried Tsonga (6-3, 6-4) e Andy Roddick (6-3, 4-6, 6-4). Hoje, Nadal encara o argentino Juan Martin Del Potro, e Murray pega o espanhol Fernando Verdasco.
A vitória de ‘Rafa’ sobre Del Potro é praticamente certa. O argentino perdeu as quatro partidas que já disputou contra o número um mundial, sem ganhar um único set. Nadal teve trabalho para se livrar de um excelente Stanislas Wawrinka (7-6, 7-6) nas oitavas, e Del Potro vem de uma vitória convincente sobre David Ferrer (6-3, 6-2). Mesmo assim, vai dar Nadal. E o espanhol não vai ficar muito tempo em quadra.
Verdasco tem mais chances contra Murray. No retrospecto, o escocês leva vantagem, com cinco vitórias em seis jogos. Mas o tenista de Madri ganhou a última, nas oitavas-de-final do Aberto da Austrália. Aliás, o piso sintético Plexicushion que reveste as quadras do complexo de Melbourne Park é muito parecido com o revestimento utilizado em Miami. Outra semelhança: o calor é forte nos dois lugares, só que seco em Melbourne e úmido na Flórida.
Murray está jogando bem em Miami, até melhor que em Indian Wells, quando chegou à final e levou uma surra de Nadal. Mesmo assim, o escocês ainda não exibiu seu melhor tênis. Já Verdasco continua em grande fase, como mostrou ao afastar com autoridade (6-2, 6-2) o tcheco Radek Stepanek nas oitavas-de-final. Apesar disso, acho que Murray vai crescer na hora certa – uma qualidade que é a marca dos grandes tenistas - e mandar o espanhol para casa.

Na semi entre Federer e Djokovic, vou apostar no Fed. Depois do fiasco de Indian Wells, onde perdeu para Roddick nas quartas-de-final, Djokovic vem reencontrando em Miami o tênis vistoso que o levou ao terceiro lugar do ranking mundial, no início do ano passado. Contudo, o sérvio ainda tem sérios problemas na parte física, como mostrou novamente ontem durante o segundo set contra Tsonga. Abalado por problemas estomacais e pelo forte calor, ele estava tão exausto que só faltou desabar no meio da quadra. Mesmo assim conseguiu fechar o jogo, mas a história poderia ter sido outra se o francês tivesse vencido o segundo set.
Federer parece mais confiante, e, o que é mais importante, muito mais motivado do que em Indian Wells. Jogos contra Roddick e Djokovic, seus fregueses de carteirinha, são tudo que ele precisa para ganhar moral. Contra ‘Nole’, o número dois do mundo tem sete vitórias para duas derrotas. Se repetir a atuação de ontem contra ‘A-Rod’, é muito provável que o suíço se classifique para sua primeira final de Masters Series desde Hamburgo, em maio de 2008. A última vez que Federer venceu um torneio desta categoria foi em agosto de 2007, em Cincinnati.